- Põe as mãos para trás, menino!
- Mas...
- Sem mais, nem menos. O que foi que eu falei? Não pode. É a brincadeira. Você quer brincar ou não quer?
- Não quero mais.
- Não olha para o lado.
- Viu no que dá não respeitar as regras?
- Eu quero descer.
- Pula.
- Eu tenho medo, é alto.
- Você tirou a mão de novo?
- Ai. Doeu!
- O que foi que a tia disse. Toda vez que você não fizer o combinado leva um tapa na cara. Põe as mãos para trás, menino!
- Quero brincar de outra coisa.
-Depois. Agora nós estamos brincando de “PRESTE ATENÇÃO”. Entendeu?
- Isso é chato.
- Deixa de ser malcriado. Quem é que brinca com você? Ninguém. Vai ficar malcriado com a tia, vai?
- É que tá doendo bem aqui.
- De novo? As mãos para trás!
- Aaaiiii. Tá doendo muitooo. Pára de me bater!
- Se você continuar molenga, aí sim você vai apanhar de verdade. Que motivo a tia te deu para chorar desse jeito? Parece uma menininha. Cinco anos, já não é mais bebezinho. Vai, engole esse choro.
- Tá bom. Parei.
- Vamos brincar de outra coisa, está bem?
- Tá.
- As mãos!
- O quê?
- Me mostre as mãos.
- Você vai me bater.
- Não vou. Agora é outra brincadeira. Deixa as mãos bem moles. Isso mesmo. Agora balança as mãozinhas. Muito bem!
- Legal.
- Canta com a tia: “Mão molinha, mão molinha, vai bater na ca-rinha. Mão molinha, mão molinha, vai bater na ca-rinha!”.
3 comentários:
nossa. passa o endereço que vou eu bater nessa tia-malvada.
------
causou seu texto reflexões em mim.
muito bem escrito, como tantos teus.
abraços.
Me fiz tão feliz de descobrir isso aqui. Posso te ler, posso te ler o quanto quiser agora.
Olá Marcelo, aqui é a Paula Akkari, do Blog da Paulinha,
Adorei seu texto, que "tia-vilã"! =D
Estou escrevendo mais textos curtos que exprimem morais, como crônicas e apólogos, e este foi muito interessante... Eu gosto da ideia de "narradores ausentes" (este é o termo certo?)! :-)
Paulinha
Postar um comentário