27.7.09

Um Filme Depois ou Exercício Cinematográfico

um animal morre no colo de uma menina
um homem consome gás carbônico
um bêbado canta um samba antigo
o final feliz é uma história velha e funciona

tudo o que vejo é cor de abóbora

tenho trezentos destinos me esperando

luz ação câmera:

os meus olhos com pupila grande angular
e memória de trinta e cinco milímetros

24.7.09

Dicas do Labirinto: Casal Verde, de Índigo e Adriana Lisboa no Versatilidades

Sábado, dia 25, Índigo lança:

“Casal verde”

Na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena.

A sessão de autógrafos será às 17hs

Mas antes – às 16hs – a garotada vai poder participar de uma oficina de colagem com Mariana Zanetti, a ilustradora do livro.


E também tem Bate-Papo com Adriana Lisboa no Versatilidades (Sesc Ipiranga), evento que reúne escritores contemporâneos envolvidos, por meio de sua literatura, com outras linguagens da arte.

No SESC Ipiranga
Dia 25 de julho, sábado, às 17:30
O evento é gratuito e livre para todos os públicos.

22.7.09

O coração disparado de Adélia Prado




Ando lendo Adélia, que é feita de barro e é oca. Que é barroca.

18.7.09

Conversas no Sótão com Maria Amália Camargo



Minha entrevistada da vez é a escritora Maria Amália Camargo. E assim se deu a nossa conversa:

1. Maria Amália, o que você sonhou a noite passada?
R. Eu sonho muito; a noite inteira. E às vezes sonho tanto que já acordo cansada. Apesar de ter largado o vício de assistir novelas, o elenco da TV Globo insiste em aparecer pra me tentar. Ontem, por exemplo, o Paulo Goulart (marido da Nicete) me pedia para identificar uma verdura no supermercado. Eu dizia que era almeirão e ele insistia dizendo que não, que era “agrião hidropônico”. Dei de ombros e falei: “mas se o senhor já sabia, então por que perguntou”?
Tenho sonhos que me perseguem de quinze em quinze dias: um deles é voltar pra escola e refazer a oitava série, o outro, sonhar que falto à todas as aulas de matemática e só pareço no dia da prova sem saber a matéria. Ainda não descobri como me livrar deles...


2.Ernesto Sábato diz em seu livro “O escritor e seus fantasmas” que a condição mais preciosa do criador é o fanatismo, que nada deve antepor-se à sua criação, deve sacrificar qualquer coisa a ela, que sem esse fanatismo nada de importante se pode fazer. Pra você é assim? Como você encara essa questão em sua literatura?
R. Hum, a palavra “fanatismo” não me soa muito bem: faz lembrar o escritor de rádio-novelas do romance do Mario Vargas Llosa, Tia Júlia e o Escrevinhador. Pedro Camacho escrevia compulsivamente, morava num quarto de pensão caindo aos pedaços, não comia direito, dormia mal, trabalhava numa sala minúscula... Deu no que deu: entrou em curto e começou a misturar as personagens e as histórias.
Acho que o recolhimento é a condição ideal para o escritor. E com esse recolhimento vem o abandono de tudo ao redor, sim. Mas preferiria citar Rainer Maria Rilke, nas Cartas a um Jovem Poeta, onde ele coloca que é preciso uma solidão, uma grande solidão interior; entrar em si mesmo e não encontrar com ninguém durante horas... O conceito é o mesmo, mas, trocando algumas palavras nosso sacrifício fica, aparentemente, mais leve. Comigo funciona desse jeito: preciso de sossego para criar e assim não contaminar minhas histórias. Ah, e outra coisa que me dá ânimo é a conta bancária em declínio. Quanto menos dinheiro no banco, mais criativa fico. Taí o segredo de eu nunca jogar na loteria: vai que fico milionária e minha inspiração some...


3. Quando você começou a escrever? E por que literatura infantil?
R. Quando tinha oito anos, minha família se mudou para São Paulo. Saímos de uma casa em Santos perto da praia e fomos morar no 16º andar do apartamento que era da minha bisavó. Não havia o que fazer lá, os brinquedos e os amigos estavam em outra cidade e não tínhamos mais quintal pra fazer bagunça. Então, eu e meu irmão começamos a brincar com as quinquilharias que estavam dando sopa dentro de casa (daí a inspiração para escrever o Companhia Três Marias). Entre essas coisas do “ácaro-da-velha” havia uma máquina de escrever, carimbos, tintas e muito papel sem uso. Decidimos montar uma agência de detetives: ele investigava os casos e eu era responsável em relatar todas as ocorrências. Minha mãe lia aquelas histórias batidas à máquina e adorava.
Anos depois fui fazer Letras, influenciada pelas aulas de literatura do meu professor no colegial, o Frederico Barbosa (poeta e hoje diretor da Casa das Rosas). Mas as aulas dele eram bem melhores do que as da faculdade. Acabei desiludida com o curso, parte também pela Linguística, que é uma disciplina mais difícil de enfrentar do que Álgebra e Geometria. Aí, já formada, sem saber o que fazer da vida e quase rasgando meu diploma, lembrei do entusiasmo da minha mãe e resolvi apostar naquelas invencionices de quando era criança. Nunca cogitei em me tornar escritora; tinha certeza que minha vocação seria na área de artes visuais.
E talvez minha escolha pela literatura infantil venha daí: um espaço onde as imagens e as palavras convivem em harmonia; onde as ilustrações complementam o texto e vice-versa. Talvez também por ter tomado gosto de trabalhar com o público infantil quando estagiei no MAC-USP em projetos de arte-educação. Sobretudo, acredito que seja uma opção guiada pela minha dificuldade em admitir que já não sou mais criança. Nesse ponto, sou como o Peter Pan e o finado Michael Jackson: não quero envelhecer nunca.


4. Qual é a sua relação com outras linguagens artísticas (música, teatro, cinema, artes plásticas, H.Q, etc) e até que ponto elas influenciam a sua produção literária?
R. Sempre gostei de desenhar, desde muito pequena. Meu pai me mostrava livros de arte e eu dizia pra ele, inconformada, que o Picasso não sabia desenhar. Desde a sétima série era certo que faria artes-plásticas, aos dezesseis comecei a sonhar em fazer cenografia para teatro. Trabalhei em dois museus, fiz fotografia... Dos sete aos doze anos estudei piano (tudo bem que atualmente só sai Frère Jacques) e hoje sinto necessidade de ouvir música enquanto escrevo para dar mais fluidez às ideias e ao texto. Das linguagens artísticas, só com a dança não tenho muita familiaridade - se bem que meu exercício preferido no papel é o de esboçar bailarinas...
Acho que elas influenciam em tudo na minha produção; não consigo dissociar cada linguagem, tento levar cada uma delas para os meus textos: seja por meio de citações, seja na tentativa de traduzí-las com palavras.

5. Qual foi o livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R. Fora os gibis da Turma da Mônica, lembro-me de um livro da Ruth Rocha, Procurando Firme, que li e reli até enjoar. Fui com a escola (acho que na 1ª série) assistir à uma peça de teatro baseada nessa história e não gostei. Pra mim, o livro era mil vezes melhor. Com o passar dos anos, tendo que enfrentar aquelas leituras obrigatórias do colégio, criei uma certa resistência (quanto livro chato a gente era obrigado a engolir só pra fazer uma prova depois!) e me tornei preguiçosa pra ler. E isso ainda acontecia, mesmo durante a faculdade de Letras. Infelizmente esse “desgosto” durou muito mais anos do que deveria...
Na época do vestibular, todo mundo dizia horrores do Primo Basílio. Li e tive uma tremenda e agradável surpresa. Foi o Eça de Queirós quem re-despertou meu interesse pela leitura. Pra ter uma ideia, só li o Sítio do Pica-pau Amarelo na metade dos vinte.
Por isso costumo dizer que a escola deve trabalhar a questão da leitura com muito cuidado. Toda criança gosta de folhear livros e de ouvir histórias. Mas algo no meio do caminho dá errado e o que era um prazer acaba se transformando num fardo. Em alguns casos tem conserto, em muitos outros, não.


Maria Amália Camargo tem 31 anos e há mais de vinte tem pesadelos com aulas de matemática – vai ver foi por isso que se formou em Letras.
É autora de Companhia Três Marias (2009), Muito Pano pra Manga (2008), Romeu suspira Julieta espirra (2007), Acra de Eon (2006), Laranja-pêra couve manteiga (2006) e Num reino cor de burro quando foge (no prelo) - todos publicados pela Girafinha.
Para saber mais sobre seu trabalho, visite: http://www.nacontramaodocontrario.blogspot.com/

15.7.09

No Meio do Caminho



No meio do caminho tinha um Drummond
tinha um Drummond no meio do caminho
tinha um Drummond
no meio do caminho tinha um Drummond.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas pupilas tão mastigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um Drummond
tinha um Drummond no meio do caminho
no meio do caminho tinha um Drummond.

13.7.09

Dia mundial do Rock e cursos de férias!



Para comemorar o Dia Mundial do Rock, nesta segunda 13, nada melhor do que "I don't Like Mondays", do Boomtown Rats, que é um Clássico dos clássicos na história do rock!
E por falar em Rock, estarei ministrando um curso de férias no Espaço Cultural Terracota sobre História do Rock. Detalhes abaixo:

Introdução a história do rock
Objetivo
Apresentar uma introdução à história do rock, dos seus primórdios aos dias atuais, em suas diversas tendências, além de destacar o impacto social e cultural deste gênero musical.
Metodologia
O método de trabalho focará na apresentação, investigação, discussão do tema utilizando músicas e vídeos ilustrativos.

Público-alvo
Professores, estudantes, músicos, interessados em geral.
Certificado
Será conferido pela Universidade Cruzeiro do Sul e o Grupo Labmind como curso de extensão universitária.
________________________________________
quando: Terça (21 de Julho), das 18h30 às 22h30
Carga horária: 4h
Número de alunos por turma: mínimo de 10 alunos e máximo de 25.
Local do Curso: Espaço Cultural Terracota - Av. Lins de Vasconcelos, 1886 - Vila Mariana - São Paulo/SP
Investimento: 130 reais.
Alunos da Cruzeiro do Sul e aqueles que frequentaram as oficinas e palestras da Labmind têm 10% de desconto.

Dúvidas e inscrições:
11-2645-0549
labmind@labmind.com.br
Ou acesse o site:
http://www.terracotaeditora.com.br


E por falar em cursos de férias, também estarei ministrando, no mesmo espaço, outros dois. Detalhes abaixo:

Desbloqueando a imaginação e a criatividade
Coordenação: Daniela Pinotti e Marcelo Maluf

Objetivo:
A proposta é estimular a criatividade e a imaginação por meio de atividades plásticas e de escrita criativa, entre outras dinâmicas. O público participará de exercícios e dinâmicas de estímulo a produção criativa, a fim de desenvolver ao máximo a criatividade e a imaginação.

Metodologia:
O método de trabalho focará em exercícios prático e dinâmicas individuais e de grupo. Exercícios de imaginação e criatividade.

Público-alvo:
Professores, estudantes de arte, psicologia, publicidade, artistas, escritores e pessoas interessadas em desbloquear a imaginação e a criatividade.
Certificado
Será conferido pela Universidade Cruzeiro do Sul e o Grupo Labmind como curso de extensão universitária.

________________________________________
quando
Turma 1: sábado, 18 de Julho, das 9h às 13h
Turma 2: segunda, 20 de julho, das 18h30 às 22h30
Carga horária: 4h
Número de alunos por turma: mínimo de 10 alunos e máximo de 25.
Local do Curso: Espaço Cultural Terracota - Av. Lins de Vasconcelos, 1886 - Vila Mariana - São Paulo/SP
Investimento: 130 reais.
Alunos da Cruzeiro do Sul e aqueles que frequentaram as oficinas e palestras da Labmind têm 10% de desconto.

Dúvidas e inscrições:
11-2645-0549
labmind@labmind.com.br

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O universo dos contos de fadas

Objetivo:
Depois do viveram felizes para sempre, o que vem? Este encontro abordará a história dos contos de fadas, algumas de suas características e seus desdobramentos nos dias de hoje, seja na literatura contemporânea ou no cinema.

Metodologia:
O método de trabalho focará na apresentação, investigação, discussão do tema utilizando músicas e vídeos ilustrativos.
Público-alvo:
Professores, estudantes, músicos, interessados em geral.

Certificado
Será conferido pela Universidade Cruzeiro do Sul e o Grupo Labmind como curso de extensão universitária.

________________________________________
quando: Quarta (22 de julho), das 18h30 às 22h30.
Carga horária: 4h
Número de alunos por turma: mínimo de 10 alunos e máximo de 25.
Local do Curso: Espaço Cultural Terracota - Av. Lins de Vasconcelos, 1886 - Vila Mariana - São Paulo/SP
Investimento: 130 reais.
Alunos da Cruzeiro do Sul e aqueles que frequentaram as oficinas e palestras da Labmind têm 10% de desconto.

Dúvidas e inscrições:
11-2645-0549
labmind@labmind.com.br

11.7.09

Conversas no Sótão com Marcelo Barbon


Meu entrevistado da vez é o escritor e tradutor Marcelo Barbon. Direto de Buenos Aires. E assim se deu o nosso papo:


1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R. Dentro das cabeças dos escritores. Porque minha literatura é a de um cansado ou preguiçoso. Não gosto de literatura de ação, nem a ação de sair de casa (o que é um pouco a minha vida real), por isso crio histórias basicamente mentais - muitas delas débeis-mentais. Para mim, mais importante é retratar o que as pessoas pensam, não o que falam ou fazem. Assim, com certeza, o lugar “imaginário” mais importante é a mente.


2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R. Pô, não era melhor ter o corpo de touro e a cabeça de homem? Ah, talvez não, melhor deixar assim mesmo.

3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R. Eu queria experimentar aquela droga que fez a Alice (a do país das maravilhas) viajar daquele jeito. Antes que a fofoca se espalhe, não estou pensando em mudar de sexo, não. Minha mudança para Buenos Aires não tem nada a ver com isso.


4. Qual é a importância da imaginação, da memória e da observação em seu processo criativo?
R. Todas têm sua importância, porque cada processo criativo tem características distintas. Não existe, na minha visão, “um” processo criativo, o que existe são formas ou até mesmo rituais de trabalho. Mas a ideia para uma história pode vir de vários lugares, em várias circunstâncias. Você esqueceu de citar outra trilogia importante para o processo criativo que é sexo, drogas e rock n roll.

5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R. Muitos, a maioria eu renego hoje em dia. Como os quadrinhos, que li muito e hoje, quase nunca (desde clássicos, como Dick Tracy e Spirit até Disney e Maurício de Souza). Também li muitos livros de Agatha Christie, que na verdade foi quem me inspirou a escrever, pois aos 14 anos escrevi uma novela de mistério e assassinato que se chamava “Ela não está mais entre nós” ou algo do gênero. Irônico que hoje eu odeie livros policiais - não é que não gosto, eu realmente odeio - e a Lady Christie foi quem me levou a escrever. Por outro lado, de uma forma distorcida e estranha, em geral as coisas que escrevo estão cheias de um certo suspense que deve ser um resquício desse meu começo.

6. Se você tivesse uma máquina do tempo, que escritor(a) ou poeta do passado você desejaria encontrar?
R. Mas eu sempre estou pegando minha máquina do tempo e encontrando com vários escritores do passado. Para mim, essa máquina chama-se livro. Eu realmente não sou fã de conhecer escritores que admiro. Vamos descobrir que eles fedem, cospem no chão, são mal-educados. Existe um fetichismo pelo ser humano que não me interessa. O importante de um escritor são seus livros, não sua vida, sua beleza/feiúra, suas opiniões sobre as eleições no Irã ou sobre o Chávez. O importante, no final, é o texto. E ponto.


Marcelo Barbon nasceu em português, mas hoje vive em espanhol. É escritor, tradutor, editor e jornalista (além de fotógrafo e músico frustrado). Um dos fundadores do projeto Amauta Editorial http://amautaeditorial.wordpress.com, que trouxe ao Brasil escritores inéditos da vanguarda ibero-americana. Em 2007 publicou seu primeiro romance, Acaricia meu sonho, e em 2009 está na coletânea Geração 90/00 com outros 20 escritores brasileiros e que será publicada no Peru em agosto. Tem outros livros esperando por editoras. Mantém o blog pessoal Caderno de Escritura http://cadernodeescritura.wordpress.com, o blog Letras Portenhas sobre o mercado editorial argentino http://letrasportenhas.wordpress.com e o blog sobre turismo Direto de Buenos Aires http://viajeaqui.abril.com.br/blog/direto-de-buenos-aires.shtml, além de escrever uma coluna mensal sobre literatura latino-americana para o Cronópios.

8.7.09

A Sombra de um Cedro ou Minha Primeira Crônica Familiar


Sentados à mesa, Hasam, Karima e Assad olhavam a figura de Fayard comendo tabule. Rafi nascia enquanto Zahara beijava Aziz debaixo de um cedro. Fadel bebia arak e segurava um punhal para ganhar Ulima à força. Garib sabia que Bachir matara Vidókia com o revólver de Badi. Ranya vomitava coalhada seca no colo de Tayeb. Na décima sexta lua Fuad trouxe carneiro para festejar. Sentados à mesa, Xarif, Najla e Sabre olhavam a figura de Taufic comendo chanclixe. Mustafá mordia a perna de Samira enquanto o carneiro assava. Zinara afogava o tio Nagibe entre as coxas. Rozala tecia um tapete para o casamento. Abud apodrecia no caixão enquanto Odila deixava que Alaor a invadisse. Sentados à mesa, Albatenio, Altair e Zuleica olhavam a figura de Adail comendo babaganuche. Al-Samir se despediu da família no cais do porto. Maala rompeu o hímem com uma escova de cabelo. Tersa fugiu para Beirute e morreu num bombardeio. Abdelmaleque aos dois anos ainda mamava em Zuleica. Kaab possuído por um Djin furou o tímpano de Jamal com uma tesoura. Sentados à mesa, Munir, Nahbi e Sila olhavam a figura de Kassim comendo kibe cru com cebola e hortelã.
Rafi nascia enquanto Odila deixava que Alaor a invadisse. Tersa fugiu para Beirute na décima sexta lua. Fuad segurava um punhal para ganhar Ulima à força. Garib sabia que Bachir bebia Arak. Ranya vomitava uma escova de cabelo no colo de Taybe. Abdelmaleque aos dois anos trouxe carneiro para festejar. Sentados à mesa, Munir, Nahbi e Sila olhavam a figura de Kassim no caixão comendo kibe cru com cebola e hortelã. Mustafá mordia o tio Nagibe entre as coxas. Al-Samir furou a perna de Samira enquanto o carneiro assava. Rozala tecia o hímem com coalhada seca. Abud apodrecia um tapete para o casamento. Zahara beijava Aziz com o revólver de Badi. Fadel ainda mamava. Morreu num bombardeio. Odila matara Vidókia debaixo de um cedro. Sentados à mesa, Albatenio, Altair e Zuleica olhavam a figura de Adail comendo chanclixe com uma tesoura. Kaab possuído por um Djin se despediu da família no cais do porto. Maala rompeu o tímpano de Jamal. Zinara se afogava em babaganuche. Sentados à mesa, Xarif, Najla e Sabre olhavam a figura de Taufic comendo Zuleica.

7.7.09

Galeria do Labirinto: Marilia Pirillo












Marilia Pirillo nasceu em Porto Alegre em 1969, cursou Artes Plásticas e se graduou em Publicidade e Propaganda. Começou a ilustrar livros infantis em 1995. Trabalhou com projeto gráfico, editoração e ilustrou anúncios, embalagens, sites, cartilhas, revistas e diversos materiais gráficos dirigidos ao público infantil durante os cinco anos em que foi sócia do estúdio de ilustração e animação, Laboratório de Desenhos.
Em 2004 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde reside atualmente. Participou de diversos cursos ligados a literatura, roteiro e criação de textos para o público infantil e juvenil. Cursou pintura, aquarela, acrílica e em 2007 fez dois cursos de aperfeiçoamento em ilustração infantil em Sármede, na Itália.
Em 2008, publicou seu primeiro livro como autora juvenil – “Baratinada”, Editora Biruta – e, em 2009, lançou seus dois primeiros livros como autora infantil – “Bonifácio, o porquinho”, Editora WMF Martins Fontes e “Bagunça e Arrumação”, Editora Prumo.
Para saber mais visite:
www.mariliapirillo.com


4.7.09

Conversas no Sótão com Sônia Barros


Minha entrevistada da vez é a poetisa e escritora Sônia Barros. Apesar de termos nascido na mesma cidade, só vim conhecer a Sônia através da sua literatura. Ela é uma das autoras que convidei para a antologia Era uma vez para Sempre, da Terracota Editora.
E assim se deu o nosso papo:


1. Sônia, qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R. A rede em que balançou a menina Clarice do conto Felicidade clandestina,depois de conseguir o livro tão desejado. Toda vez que leio esse conto, imagino que sou eu ali, sentada na rede "com o livro aberto no colo, em êxtase puríssimo".

2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R. Eu o convidaria para um voo!

3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R. Sem dúvida, a Emília. Às vezes gostaria de ser menos "certinha" e ter o atrevimento dessa personagem tão marcante de Lobato: inteligente, irreverente, crítica, livre!


4. Qual é a importância da imaginação e da memória em seu processo criativo?
R. Ambas são essenciais. Em alguns momentos uma se mistura à outra a ponto de eu não saber o que nasceu da memória, de uma experiência vivida, e o que é fruto da imaginação. De verdade, já fiquei em dúvida! Mas isso depende muito do texto que estou escrevendo. Na maioria das vezes, parto de uma observação que me suspendeu, me prendeu por algum motivo. E só depois vou imaginar, criar personagens e situações. Ou então, recriá-los, quando despertados da memória... Invariavelmente o processo é longo. Escrevo e reescrevo. Deixo o texto descansar por um tempo e depois volto a ele. Leio novamente e vou cortando os excessos, o que também demora. Às vezes levo mais de um ano para sentir que um texto meu, em prosa ou poesia, está pronto.




5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R. Na infância foi Monteiro Lobato e na adolescência Clarice Lispector. Embora eu não compreendesse tudo o que lia de Clarice, fiquei tão fascinada que eu queria conhecer a autora. Quando descobri que Clarice havia morrido chorei muito e escrevi minha primeira história, dedicada a ela. Mas a maior responsável pelo meu encantamento diante da literatura não foi uma autora, ao contrário, foi uma pessoa que mal frequentou escola e que trabalhou a vida toda como empregada doméstica. Foi minha mãe adotiva que, desde sempre, me contava histórias e que me levou a uma biblioteca antes mesmo de me levar à escola! Sem saber, ela meu deu o maior de todos os tesouros. Graças a ela, o livro se tornou meu brinquedo favorito, uma caixa surpresa que me fazia voar. E eu não conseguia ficar um dia sequer sem voar! Hoje, além de continuar voando, confecciono caixinhas surpresa desejando que outros corações voem também.



SÔNIA BARROS
Nasceu em 24 de agosto de 1968. Mora em Santa Bárbara d´Oeste, no interior de São Paulo. É casada com Diógenes Roberto Cerântola e tem um filho, Bruno. Publicou treze livros, entre eles: O segredo da xícara cor de nuvem, Ed. Moderna; Asas de dentro, Ed. Scipione; Onde o céu acontece, Atual/Saraiva; Ciranda mágica, Positivo; Coisa Boa, Moderna; Saudade doída, Quinteto/FTD; O gato que comia couve-flor, Atual/Saraiva; Mezzo vôo, nankin editorial. www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet207.htm

3.7.09

Cursos de Férias! Imaginação, Criação, Contos de Fadas e Rock!

Saiba detalhes dos cursos acessando o site do Espaço Cultural Terracota: http://www.terracotaeditora.com.br/
Dúvidas e Informações: 11-2645-0549
labmind@labmind.com.br

1.7.09

A revista COYOTE chega ao número 19!


Foto da capa: Rogério Ivano
A Revista de Literatura e Arte COYOTE chega ao número 19. Com uma entrevista inédita de João Cabral de Melo Neto, feita pelo poeta gaúcho Thomaz Albarnoz Neves. Cabral diz coisas surpreendentes. Tipo isso: “Quando estava morando em Barcelona, tinha acabado de escrever e publicar a ‘Psicologia da Composição’ e estava certo de que não iria mais escrever poesia.”

Tem mais: poemas da brasileira Annita Costa Malufe, da portuguesa Ana Luísa Amaral, do norte-americano George Oppen (traduzidos por Ruy Vasconcelos) e da espanhola (radicada no Paraguai) Montserrat Alvarez (traduzidos por Luiz Roberto Guedes); contos de Marcelo Maluf, Reni Adriano e Donald Barthelme (traduzido por Caetano Waldrigues Galindo), quadrinhos da dupla Teo Adorno e Luiz Brás e fotos do londrinense Rogério Ivano. Tem poemas do Ademir Assunção, do seu novo livro, ainda inédito.

Quem estiver interessado, Coyote 19 já está chegando nas livrarias. Se não encontrar, vá direto ao Sebo do Bac que é tiro certeiro: http://www.sebodobac.com/.
Imagem: Rogério Pinto