12.9.09

Eu Que Não Sei Pescar


toda vez que viajo

para a cidade de minha infância

encontro trinta mortos

pendurados nas janelas

esperando

de mim a parte

de areia e cimento

para cobri-los

de fé e de pedra

encontro cavoucando

o canteiro de lama

- meu playground de criança –

minhas memórias guardadas

em cabeças de minhocas minúsculas

iscas para pescar

peixes de água doce



eu

que não sei pescar

anzol perdido no tempo

6 comentários:

Claudio Brites disse...

Querido, que bom que achou um segundo para sobrar uma brisa neste sotão.
beijos

Pedro Antônio disse...

Parabéns, Marcelo!

O seu blog é muuuuuito bom!

Estou te seguindo!

Um abração!

Pedro Antônio

Laura Fuentes disse...

Bom você ter voltado prá poesia em seu labirinto.

Kely Cristina S. Felício disse...

Lindo poema, tão bonito olhar pra trás com olhos de carícia, desde sempre, inundados de mistério... Um abraço e parabéns. Kely

Tânia Alexandre Martinelli disse...

Querido Marcelo,
Que poesia mais linda e encantadora!
Obrigada pelo seu recadinho no meu blog!
Obs.: Encontrei com o Jorge do Pântano na FTD de Ribeirão Preto. Ele estava lá. E me olhou com uma cara de "não te conheço de algum lugar?"
Bjs
Tânia

GINA DINUCCI disse...

Uau! Que lindo Malusco.
Posso postar lá no ENCAIXE?

bj

Imagem: Rogério Pinto