4.7.09

Conversas no Sótão com Sônia Barros


Minha entrevistada da vez é a poetisa e escritora Sônia Barros. Apesar de termos nascido na mesma cidade, só vim conhecer a Sônia através da sua literatura. Ela é uma das autoras que convidei para a antologia Era uma vez para Sempre, da Terracota Editora.
E assim se deu o nosso papo:


1. Sônia, qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R. A rede em que balançou a menina Clarice do conto Felicidade clandestina,depois de conseguir o livro tão desejado. Toda vez que leio esse conto, imagino que sou eu ali, sentada na rede "com o livro aberto no colo, em êxtase puríssimo".

2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R. Eu o convidaria para um voo!

3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R. Sem dúvida, a Emília. Às vezes gostaria de ser menos "certinha" e ter o atrevimento dessa personagem tão marcante de Lobato: inteligente, irreverente, crítica, livre!


4. Qual é a importância da imaginação e da memória em seu processo criativo?
R. Ambas são essenciais. Em alguns momentos uma se mistura à outra a ponto de eu não saber o que nasceu da memória, de uma experiência vivida, e o que é fruto da imaginação. De verdade, já fiquei em dúvida! Mas isso depende muito do texto que estou escrevendo. Na maioria das vezes, parto de uma observação que me suspendeu, me prendeu por algum motivo. E só depois vou imaginar, criar personagens e situações. Ou então, recriá-los, quando despertados da memória... Invariavelmente o processo é longo. Escrevo e reescrevo. Deixo o texto descansar por um tempo e depois volto a ele. Leio novamente e vou cortando os excessos, o que também demora. Às vezes levo mais de um ano para sentir que um texto meu, em prosa ou poesia, está pronto.




5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R. Na infância foi Monteiro Lobato e na adolescência Clarice Lispector. Embora eu não compreendesse tudo o que lia de Clarice, fiquei tão fascinada que eu queria conhecer a autora. Quando descobri que Clarice havia morrido chorei muito e escrevi minha primeira história, dedicada a ela. Mas a maior responsável pelo meu encantamento diante da literatura não foi uma autora, ao contrário, foi uma pessoa que mal frequentou escola e que trabalhou a vida toda como empregada doméstica. Foi minha mãe adotiva que, desde sempre, me contava histórias e que me levou a uma biblioteca antes mesmo de me levar à escola! Sem saber, ela meu deu o maior de todos os tesouros. Graças a ela, o livro se tornou meu brinquedo favorito, uma caixa surpresa que me fazia voar. E eu não conseguia ficar um dia sequer sem voar! Hoje, além de continuar voando, confecciono caixinhas surpresa desejando que outros corações voem também.



SÔNIA BARROS
Nasceu em 24 de agosto de 1968. Mora em Santa Bárbara d´Oeste, no interior de São Paulo. É casada com Diógenes Roberto Cerântola e tem um filho, Bruno. Publicou treze livros, entre eles: O segredo da xícara cor de nuvem, Ed. Moderna; Asas de dentro, Ed. Scipione; Onde o céu acontece, Atual/Saraiva; Ciranda mágica, Positivo; Coisa Boa, Moderna; Saudade doída, Quinteto/FTD; O gato que comia couve-flor, Atual/Saraiva; Mezzo vôo, nankin editorial. www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet207.htm

2 comentários:

Tânia Alexandre Martinelli disse...

Parabéns, Sônia e Marcelo, pela entrevista. É sempre bom ler a Sônia, porque suas palavras são poesia e encantamento.
Beijos
Tânia

Laura Fuentes disse...

Marcelo, uma delícia a entrevista com a Sônia, assim como o conto dela no "Era uma vez para sempre". Acabei justo agora de ler o livro todo e queria te parabenizar. Foi uma viagem e tanto. Excelente seleção, belíssima edição. Parabéns!

Imagem: Rogério Pinto