25.6.09

Conversas no Sótão com Luiz Ruffato


O meu entrevistado da vez é o escritor Luiz Ruffato. E assim se deu o nosso papo:

1. Luiz, o que você sonhou a noite passada?
R. Eu nunca me lembro dos meus sonhos... Deve ser um grave problema psicanalítico...



2. Ernesto Sábato diz em seu livro “O escritor e seus fantasmas” que a condição mais preciosa do criador é o fanatismo, que nada deve antepor-se à sua criação, deve sacrificar qualquer coisa a ela, que sem esse fanatismo nada de importante se pode fazer. Pra você é assim? Como você encara essa questão em sua literatura?

R. Eu não sei sinceramente se concordo... Eu não suporto a ideia de "fanatismo", seja ele de que espécie for... Para mim, o que me leva a criar são duas coisas: a crença de que, por meio da arte, posso ajudar a melhorar os indivíduos, e portanto o mundo; e a certeza que, por meio da arte, consigo pagar as minhas contas no final do mês.


3. O que importa mais em seu texto: o QUE ou o COMO? Por quê?
R. Não vejo, sinceramente, como separar o "que" do "como"... Para cada "que" há um "como"... O grande desafio do artista é amalgamar de tal maneira o "que" e o "como", que sua criação seja uma fração da representação da vida.

4. Qual é a sua relação com outras linguagens artísticas (música, teatro, cinema, artes plásticas, H.Q, etc) e até que ponto elas influenciam a sua produção literária?
R. Tudo que se move me interessa... Todas as linguagens artísticas eu as devoro e transformo em linguagem literária. Em Eles eram muitos cavalos, minha experiência mais radical nesse sentido, promovo um processo de devoração - antropofágica? - que nem sequer considero esse livro um "romance", mas sim uma "instalação" literária.
5. Por que, afinal, você faz literatura, num país com tão poucos leitores?
R. Exatamente por isso... Eu vivo de literatura há seis anos num país "de tão poucos leitores" - e olha que sou filho de uma mãe analfabeta e de um pai semi-analfabeto. Eu sou um sobrevivente - e como tal, acredito em coisas que as outras pessoas não veem ou fingem não ver...


LUIZ RUFFATO
Nascido em 1961, publicou vários livros, entre eles, (os sobreviventes), em 2000, ganhador do Prêmio Casa de las Américas, de Cuba, Eles eram muitos cavalos, em 2001, também lançado na Itália, França e Portugal e De mim já nem se lembra, em 2007. A partir de 2005, iniciou uma série de cinco volumes, intitulada Inferno provisório, que tenta compor a história da industrialização do Brasil, a partir do ponto de vista do trabalhador urbano. Destes, já saíram Mamma, son tanto felice (também lançado na França), O mundo inimigo, Vista parcial da noite e O livro das impossibilidades. Em setembro, publica Estive em Lisboa e lembreide você, pela Companhia das Letras.

1 comentários:

Silvia Caroline disse...

Estava procurando uma entrevista com Andréa Del Fuego e parei aqui, novamente aconteceu o mesmo com o Ruffato!
Gosto muito das entrevistas, qual será o próximo?

;*

Imagem: Rogério Pinto