3.6.09

Conversas no Sótão com Ana Paula Maia


A minha entrevistada da vez é a escritora carioca Ana Paula Maia, inaugurando as Conversas no Sótão com novas perguntas. Ana está com livro novo saindo do forno (Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos) E assim se deu o nosso papo:


1. Ana, o que você sonhou a noite passada?
R: Sonhei com um mutante e carros voadores. Não foi um sonho bom. O mutante era um transmorfo, era qualquer um e mudava de forma o tempo todo. Mas eu sabia quando era ele. Gostaria de ter inventado um sonho para contar, eu até poderia, mas decidi ser honesta. Sonhos são muito íntimos, não acha?

2. Ernesto Sábato diz em seu livro “O escritor e seus fantasmas” que a condição mais preciosa do criador é o fanatismo, que nada deve antepor-se à sua criação, deve sacrificar qualquer coisa a ela, que sem esse fanatismo nada de importante se pode fazer. Pra você é assim? Como você encara essa questão em sua literatura?
R: Esse fanatismo está ligado a dedicação, entusiasmo, excesso, iluminação... essas coisas que escritores geralmente possuem. Literatura é sacerdócio, sendo assim, encaro com muita fé. Tenho fé nos meus personagens, mesmo sabendo que eles têm muito mais fé do que eu. Escrevo porque tenho empatia, porque quero questionar, trazer à tona um novo olhar. Experimentar. Estou construindo um universo. Tecendo em parágrafos aquilo pelo qual me sinto impelida. Mas ainda não posso responder de modo satisfatório certas perguntas.... me pergunte daqui a dez anos, talvez eu já tenha alguma coisa para dizer além disso.


3. O que importa mais em seu texto: o QUE ou o COMO? Por quê?
R: O que mais importa é o QUEM. Escrevo a história de pessoas, personagens são o meu foco principal. A partir disso, dessa compreensão e investigação, eu desenvolvo o "Que" e o "Como" para desfiar a história de cada um deles.



4. Qual é a sua relação com outras linguagens artísticas (música, teatro, cinema, artes plásticas, H.Q, etc) e até que ponto elas influenciam a sua produção literária?
R: Tenho uma ótima relação principalmente com o cinema, a música e séries de TV. Acho melhor perguntar até que ponto elas influenciam a minha vida. (rs). A literatura que faço está sob minha influência, e eu estou sob influência, até mesmo inconsciente, de um monte de coisas. Não saberia discernir.

5. Por que, afinal, você faz literatura num país com tão poucos leitores?
R: Eu faria literatura até mesmo para um país com nenhum leitor. Não é o leitor que motiva um escritor, já que ele também é um leitor. O que motiva é aquele tal fanatismo descrito na pergunta número dois pelo Ernesto Sábato.


Ana Paula Maia, é escritora, autora dos romances O Habitante Das Falhas Subterrâneas (ed. 7 letras, 2003), A Guerra dos Bastardos (ed. Língua geral, 2007) e Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (Ed. Record, 2009)
Escreve no blog: http://www.killing-travis.blogspot.com/

O livro, Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, de Ana Paula Maia (Editora Record) chega às livrarias dia 5 de JUNHO.
Saiba mais no site do livro
http://www.entrerinhasdecachorroseporcosabatidos.blogspot.com/

2 comentários:

Claudio Brites disse...

adorei as perguntas novas.
só adicionaria o "quem" da ana paula na pergunta do "que" e "como".

Reflexo d Alma disse...

Puxa... coisa boa chegar aqui pra conhecer e ja ficar
tão encantada que preciso reler
e voltar pra comentar
com mais clareza...
Adorei o blog...

Bjins entre sonhos e delírios

Imagem: Rogério Pinto