2.3.09

Para escrever e inventar


é preciso ter olhos de poesia para reinventar a forma
tirar da fôrma
deformar

conhecer o primeiro homem que desenhou numa caverna
ter a capacidade de se admirar com os fios elétricos
assombrar e ser assombrado pelo pensamento

ter o coração forte para agir pela razão
a razão humilde para os delírios do coração

estar sempre em estado de vigília
aprender a ver a sombra dos pássaros no asfalto

a ler uma cortina tocada pelo vento no sétimo andar de um edifício qualquer
dançar com a própria sombra

conhecer o alfabeto das nuvens e das chuvas
devanear sobre a pena e a pedra

1 comentários:

Alessandra Roscoe disse...

Que lindo! Nossa, Marcelo, suas palavras inundaram-me os olhos e encheram minha alma de uma leveza indizível. Quero ter poesia nos olhos como você!
Grande beijo,

Imagem: Rogério Pinto