
Meu entrevistado da vez é o querido escritor Kizzy Ysatis. E assim se deu a nossa conversa no sótão:


5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
Kizzy Ysatis: Indubitavelmente foi Edgar Allan Poe com Histórias Extraordinárias, Pedro Bandeira com A Marca de uma Lágrima, Monteiro Lobato com O Saci, vários da Agatha Christie e, em especial, A Palavra é Mistério, que reune contos de terror de nomes como Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Orígenes Lessa, Raimundo de Magalhães entre outras feras. A essa altura já estava perdidamente apaixonado pelas letrinhas. Além disso, não largava os gibis, consumia todos, principalmente Batman. Meu herói!





1. O que você sonhou a noite passada?
Kizzy Ysatis: Quer mesmo que eu diga? rs. Sonhei que um grupo de vampiros invadia meu quarto. A líder tentava abrir uma gaveta com uma chave esquisita. Eu a impedi, ela não logrou êxito. Na peleja alguém me mordeu. Acordei exaurido, mas expulsei-os do meu sonho.
Kizzy Ysatis: Quer mesmo que eu diga? rs. Sonhei que um grupo de vampiros invadia meu quarto. A líder tentava abrir uma gaveta com uma chave esquisita. Eu a impedi, ela não logrou êxito. Na peleja alguém me mordeu. Acordei exaurido, mas expulsei-os do meu sonho.
2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
Kizzy Ysatis: Perguntaria a ele onde fica a saída, mas se ele fosse gentil, ficaria para a ceia porque imagino que ele conforte bons vinhos naquele labirinto.
Kizzy Ysatis: Perguntaria a ele onde fica a saída, mas se ele fosse gentil, ficaria para a ceia porque imagino que ele conforte bons vinhos naquele labirinto.

3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
Kizzy Ysatis: Estou na dúvida. Acho o mago Gandalf imbatível, mas o vampiro Lestat é bem mais bonito. No entanto Aquiles era imbatível e belo.
Kizzy Ysatis: Estou na dúvida. Acho o mago Gandalf imbatível, mas o vampiro Lestat é bem mais bonito. No entanto Aquiles era imbatível e belo.
4. Por que, Como e Quando você escreve?
Kizzy Ysatis: Escrevo porque possuo uma sensibilidade e uma criatividade que me distingue; já que sou assim, me valho disso para alcançar a glória através da arte. Já disse isso a uma pessoa que me chamou de arrogante, mas eu a perdoo, como diz Nietzsche, essa é a moral do rebanho, azar o dela se ela não entende que o artista enxerga em si o talento. Castro Alves já dizia: “Sinto em mim o borbulhar do gênio”. O artista não tem de se diminuir para agradar os outros, nem se sentir culpado ou se envergonhar de ser o que é. Sou talentoso, que culpa tenho eu? Não sou um operário, não sou formiga, sou cigarra. Escrever para mim não é bater cartão para ganhar dinheiro. Ganharei dinheiro pela valoração da minha obra e não pelas intermináveis horas que me dôo a ela. Para escrever, fico pensando muito na idéia, depois passo para o papel ou computador. Imprimo e releio uma centena de vezes, sempre em voz alta, até os diálogos soarem naturais e a narrativa ganhar sonoridade poética, musicalidade, como diz Nélida (Piñon). Me preocupo muito com a ambigüidade dos meus textos, são penumbrosos, como a Lygia (Fagundes Telles) diz que é o texto machadiano. Toda história é um enigma, o final nem sempre precisa ser conclusivo apesar de possuir uma resolução, um desfecho. Escrevo todos os dias, até quando não escrevo, estou escrevendo, criando; desde o livro que estou lendo, ao noticiário, ao filme, até quando escuto conversa alheia, tudo me é arte, me é inspiração, o ser humano é meu objeto de estudo; e todas as flores e o clima e a natureza em si. Tanto a beleza quanto a fealdade, tudo é cor na minha paleta. Mas escrevo sempre para mim, me divirto escrevendo. Depois quebro a cuca para lapidar, sou rigoroso, acho que tenho sempre de me superar. Não me preocupo muito se vão entender a história, sou mais autor que escritor. Ana Maria Machado diz que o significado dessas duas palavras deveria ser diferenciado como é na língua inglesa. Espero apenas que gostem da minha obra como gostei, se o leitor não entendeu é porque o livro não é para ele. Que procure então um livro mais fácil. Se têm roupas para todos os tamanhos, hão de se ter livros para todos os cérebros. Nem tudo é para todos. Há uma inexorável seletividade na natureza. A cada dia ganho novos leitores, uma nova fração de jovens inteligentes que se cansaram de livros fabricados.
Kizzy Ysatis: Escrevo porque possuo uma sensibilidade e uma criatividade que me distingue; já que sou assim, me valho disso para alcançar a glória através da arte. Já disse isso a uma pessoa que me chamou de arrogante, mas eu a perdoo, como diz Nietzsche, essa é a moral do rebanho, azar o dela se ela não entende que o artista enxerga em si o talento. Castro Alves já dizia: “Sinto em mim o borbulhar do gênio”. O artista não tem de se diminuir para agradar os outros, nem se sentir culpado ou se envergonhar de ser o que é. Sou talentoso, que culpa tenho eu? Não sou um operário, não sou formiga, sou cigarra. Escrever para mim não é bater cartão para ganhar dinheiro. Ganharei dinheiro pela valoração da minha obra e não pelas intermináveis horas que me dôo a ela. Para escrever, fico pensando muito na idéia, depois passo para o papel ou computador. Imprimo e releio uma centena de vezes, sempre em voz alta, até os diálogos soarem naturais e a narrativa ganhar sonoridade poética, musicalidade, como diz Nélida (Piñon). Me preocupo muito com a ambigüidade dos meus textos, são penumbrosos, como a Lygia (Fagundes Telles) diz que é o texto machadiano. Toda história é um enigma, o final nem sempre precisa ser conclusivo apesar de possuir uma resolução, um desfecho. Escrevo todos os dias, até quando não escrevo, estou escrevendo, criando; desde o livro que estou lendo, ao noticiário, ao filme, até quando escuto conversa alheia, tudo me é arte, me é inspiração, o ser humano é meu objeto de estudo; e todas as flores e o clima e a natureza em si. Tanto a beleza quanto a fealdade, tudo é cor na minha paleta. Mas escrevo sempre para mim, me divirto escrevendo. Depois quebro a cuca para lapidar, sou rigoroso, acho que tenho sempre de me superar. Não me preocupo muito se vão entender a história, sou mais autor que escritor. Ana Maria Machado diz que o significado dessas duas palavras deveria ser diferenciado como é na língua inglesa. Espero apenas que gostem da minha obra como gostei, se o leitor não entendeu é porque o livro não é para ele. Que procure então um livro mais fácil. Se têm roupas para todos os tamanhos, hão de se ter livros para todos os cérebros. Nem tudo é para todos. Há uma inexorável seletividade na natureza. A cada dia ganho novos leitores, uma nova fração de jovens inteligentes que se cansaram de livros fabricados.

5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
Kizzy Ysatis: Indubitavelmente foi Edgar Allan Poe com Histórias Extraordinárias, Pedro Bandeira com A Marca de uma Lágrima, Monteiro Lobato com O Saci, vários da Agatha Christie e, em especial, A Palavra é Mistério, que reune contos de terror de nomes como Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Orígenes Lessa, Raimundo de Magalhães entre outras feras. A essa altura já estava perdidamente apaixonado pelas letrinhas. Além disso, não largava os gibis, consumia todos, principalmente Batman. Meu herói!

6. Se você tivesse uma máquina do tempo, que escritor(a) ou poeta do passado você desejaria encontrar?
Kizzy Ysatis: Talvez, ainda mais triste do que perder para a morte alguém que amou, seja amar alguém que existiu há mais de um século e meio, como eu verdadeiramente amo Álvares de Azevedo, como meu personagem, o vampiro Luar, que está sempre à espera de alguém que perdeu antes mesmo de ter conhecido em vida. É uma ilusão, você sabe. Apenas como o vampiro do meu livro, eu vislumbro a noite, à tocha pálida, sedento com o quadro na parede da biblioteca; aguardando e aguardando... Mas quiça nessas paragens da vida, ou da morte, num rio de travessia, quem sabe, a gente não se esbarre lá, no outrora ou no devir, no nunca ou no sempre, quiça a gente não se trombe, de leve, ainda que nem se percebam, mas que algo dentro de nós nos avise, como um sino que retine.
Kizzy Ysatis: Talvez, ainda mais triste do que perder para a morte alguém que amou, seja amar alguém que existiu há mais de um século e meio, como eu verdadeiramente amo Álvares de Azevedo, como meu personagem, o vampiro Luar, que está sempre à espera de alguém que perdeu antes mesmo de ter conhecido em vida. É uma ilusão, você sabe. Apenas como o vampiro do meu livro, eu vislumbro a noite, à tocha pálida, sedento com o quadro na parede da biblioteca; aguardando e aguardando... Mas quiça nessas paragens da vida, ou da morte, num rio de travessia, quem sabe, a gente não se esbarre lá, no outrora ou no devir, no nunca ou no sempre, quiça a gente não se trombe, de leve, ainda que nem se percebam, mas que algo dentro de nós nos avise, como um sino que retine.

7. Qual foi o último livro que você leu e recomenda?
Kizzy Ysatis: Ah, eu leio uma centena de livros ao mesmo tempo, não me perco nem me esqueço de nenhum, sei exatamente onde estou, desse modo tenho a companhia dos queridos por muuuito tempo, vou rabiscando, grifando e anotando em todos eles, sempre retorno para reler essa ou aquela passagem linda, a palavra bonita ou o trecho que me comoveu ou atemorizou. Chega amigo em casa e leio essas partes a ele, é um caso de amor que tenho pelos livros, os amo. Fim do ano perdi meu O Perfume do Süskind, tinha lido duas vezes, tinha minhas anotações ali. Bah! Mas eu recomendo Os Melhores Contos Fantásticos organizado por Flávio Moreira da Costa, da Ed. Nova Fronteira. Tem dois raríssimos contos de vampiros que remontam a origem do mito na literatura, friso: na literatura! Que são O Horla, de Guy de Maupassant e A Morta Apaixonada do Théophile Gautier. Mas o livro está muito longe de ser só isso. É um livro caro de mais de setecentas páginas, mas é um companheiro de viagem. Um brinquedo para o ano inteiro. Tem Mary Shelley, Hoffmann, Tchekhov, Poe, Dickens, Andersen, Baudelaire, Balzac, Wilde, Kafka, Bierce, Machado, Guimarães, Dulião, Gomes, Arinos, Cortázar, Borges, Queiroz... enfim, uma porrada de nego danado de bom. Com as traduções mais primorosas e textos que iluminam o caminho do conto fantástico da Bíblia, passando pelo apogeu no séc XIX, e ainda por Freud e Todorov. Este recomendo de olhos bem abertos!
Kizzy Ysatis: Ah, eu leio uma centena de livros ao mesmo tempo, não me perco nem me esqueço de nenhum, sei exatamente onde estou, desse modo tenho a companhia dos queridos por muuuito tempo, vou rabiscando, grifando e anotando em todos eles, sempre retorno para reler essa ou aquela passagem linda, a palavra bonita ou o trecho que me comoveu ou atemorizou. Chega amigo em casa e leio essas partes a ele, é um caso de amor que tenho pelos livros, os amo. Fim do ano perdi meu O Perfume do Süskind, tinha lido duas vezes, tinha minhas anotações ali. Bah! Mas eu recomendo Os Melhores Contos Fantásticos organizado por Flávio Moreira da Costa, da Ed. Nova Fronteira. Tem dois raríssimos contos de vampiros que remontam a origem do mito na literatura, friso: na literatura! Que são O Horla, de Guy de Maupassant e A Morta Apaixonada do Théophile Gautier. Mas o livro está muito longe de ser só isso. É um livro caro de mais de setecentas páginas, mas é um companheiro de viagem. Um brinquedo para o ano inteiro. Tem Mary Shelley, Hoffmann, Tchekhov, Poe, Dickens, Andersen, Baudelaire, Balzac, Wilde, Kafka, Bierce, Machado, Guimarães, Dulião, Gomes, Arinos, Cortázar, Borges, Queiroz... enfim, uma porrada de nego danado de bom. Com as traduções mais primorosas e textos que iluminam o caminho do conto fantástico da Bíblia, passando pelo apogeu no séc XIX, e ainda por Freud e Todorov. Este recomendo de olhos bem abertos!
8. Você está escrevendo algum livro no momento? Fale um pouco sobre ele.
Kizzy Ysatis: Recentemente co-escrevi um livro com Flávia Muniz, uma grande autora infanto-juvenil que você já deve conhecer. O livro chama-se A Morta Vaidosa ©. Nele, a assombração mais terrível de nossos tempos terá a forma da mais bela mulher, e a mensagem que ela nos deixa irá perturbar a todos. Faz parte do meu processo de criação deixar o livro em descanso antes de relê-lo para reescrever com alma livre e muito tesão. É um acabamento, um refinamento, trabalho de artesão. Também co-escrevi A Tríade ©, com Octavio Cariello, Claudio Brites e Carlos Andrade, este último, criador da idéia. Na trama, um mistério unirá três peculiares personagens: um Anjo, um Cavaleiro Templário e um Vampiro, numa aventura vertiginosa que varre do medievo até os nossos dias. Por final também trabalho num infantil chamado: O Menino Que Fazia Xixi nas Nuvens, ilustrado pelo cartunista Claudio Mor, cuja autoria assinarei com meu nome de Batismo: Cristiano de Oliveira Marinho, ou apenas Cristiano Marinho, ainda não decidi.
Kizzy Ysatis: Recentemente co-escrevi um livro com Flávia Muniz, uma grande autora infanto-juvenil que você já deve conhecer. O livro chama-se A Morta Vaidosa ©. Nele, a assombração mais terrível de nossos tempos terá a forma da mais bela mulher, e a mensagem que ela nos deixa irá perturbar a todos. Faz parte do meu processo de criação deixar o livro em descanso antes de relê-lo para reescrever com alma livre e muito tesão. É um acabamento, um refinamento, trabalho de artesão. Também co-escrevi A Tríade ©, com Octavio Cariello, Claudio Brites e Carlos Andrade, este último, criador da idéia. Na trama, um mistério unirá três peculiares personagens: um Anjo, um Cavaleiro Templário e um Vampiro, numa aventura vertiginosa que varre do medievo até os nossos dias. Por final também trabalho num infantil chamado: O Menino Que Fazia Xixi nas Nuvens, ilustrado pelo cartunista Claudio Mor, cuja autoria assinarei com meu nome de Batismo: Cristiano de Oliveira Marinho, ou apenas Cristiano Marinho, ainda não decidi.

9. Cite três livros que você acha imperdíveis?
Kizzy Ysatis: As Ilusões Perdidas de Honoré de Balzac, Entrevista com o Vampiro de Anne Rice, Do Amor e Outros Demônios de Gabriel García Márquez.
Kizzy Ysatis: As Ilusões Perdidas de Honoré de Balzac, Entrevista com o Vampiro de Anne Rice, Do Amor e Outros Demônios de Gabriel García Márquez.
10. Eu sei que você está organizando uma antologia de contos sobre vampiros. Fale um pouco sobre esse projeto.
Kizzy Ysatis: No momento este livro é a menina dos meus olhos.
Chama-se Território V – Vampiros em Guerra e é um divisor de águas. Os vampiros desta seleta de contos entram em rota de colisão consigo mesmo. O tema abandona a tendência insignificante que vinha tomando e surge com matizes mais maduras. O desejo social de ser eternamente belo e jovem; o arrependimento de uma mãe face a face com seus erros; a auto-traição; a valoração do amor, da vileza e da nobreza; os instintos primitivos inerentes ao homem e a iminência da morte são alguns dos atrativos que escorrem naquelas páginas, como sangue. O terror não é tão evidente quanto o pensamento, muito embora a ação e suspense, diluídos no mais fino tecido narrativo, continuem presente de forma pontuada, permeando a obra, deixando-nos eriçados e algemados às mais inusitadas tramas; psicológicas e viscerais. Mais próximas da nossa realidade, sem por isso ferir o mito do vampiro, pelo contrário, este livro, cujos conflitos são levados a sério, enriquece a literatura fantástica. Os dramas são mais contundentes. O vampiro é ferramenta na imaginação de artistas meticulosos exercitando o gênero do conto em sua melhor forma, a da unidade de ação.
Foi uma honra imensa receber o convite da Terracota Editora para organizar essa obra, é o primeiro livro que organizei e por isso o fiz de modo severo, meticuloso. A capa é um show à parte, ilustrada por ninguém menos que Octavio Cariello, aquele que ilustrou belamente as obras de Anne Rice para as editoras americanas. Para a seleta do Território V – Vampiros em Guerra foi aberto um concurso válido para todo território nacional onde qualquer escritor poderia participar. Apenas 10 contos seriam selecionados. Comecei a triagem em setembro passado e em dezembro comecei a leitura de mais ou menos 120 contos. Notei que tinha muita gente por aí confundindo novela com conto que é uma unidade de efeito, uma célula de ação; outros mandavam trechos de seus romances pela vontade de serem publicados e outros mandavam textos que fugiam ao tema só para terem uma avaliação feita por mim. No final foi muito divertido fazer, ainda que trabalhoso, ainda que tenha tomado um tempão. Mas só ficou o que tinha de melhor. Literalmente uma seleta! Para iluminar o livro, convidei outros dez autores mais tarimbados, fossem eles da área da literatura fantástica ou não. Gente do calibre de Flávia Muniz (Os Noturnos); Giulia Moon (Vampiros no Espelho); Raphael Draccon (Dragões do Éter); Cid Vale Ferreira (Voivode); Luis Eduardo Matta (120 Horas); Camilo Vannuchi (revistas Época e IstoÉ); você, meu querido Marcelo Maluf (Jorge do Pântano que fica logo Ali); Juliano Sasseron (Crianças da Noite); Octavio Cariello (A Tríade); entre outros. Com certeza, um livro indispensável na estante não só do fã de vampiros, mas de boa literatura em geral.
Kizzy Ysatis: No momento este livro é a menina dos meus olhos.
Chama-se Território V – Vampiros em Guerra e é um divisor de águas. Os vampiros desta seleta de contos entram em rota de colisão consigo mesmo. O tema abandona a tendência insignificante que vinha tomando e surge com matizes mais maduras. O desejo social de ser eternamente belo e jovem; o arrependimento de uma mãe face a face com seus erros; a auto-traição; a valoração do amor, da vileza e da nobreza; os instintos primitivos inerentes ao homem e a iminência da morte são alguns dos atrativos que escorrem naquelas páginas, como sangue. O terror não é tão evidente quanto o pensamento, muito embora a ação e suspense, diluídos no mais fino tecido narrativo, continuem presente de forma pontuada, permeando a obra, deixando-nos eriçados e algemados às mais inusitadas tramas; psicológicas e viscerais. Mais próximas da nossa realidade, sem por isso ferir o mito do vampiro, pelo contrário, este livro, cujos conflitos são levados a sério, enriquece a literatura fantástica. Os dramas são mais contundentes. O vampiro é ferramenta na imaginação de artistas meticulosos exercitando o gênero do conto em sua melhor forma, a da unidade de ação.

Foi uma honra imensa receber o convite da Terracota Editora para organizar essa obra, é o primeiro livro que organizei e por isso o fiz de modo severo, meticuloso. A capa é um show à parte, ilustrada por ninguém menos que Octavio Cariello, aquele que ilustrou belamente as obras de Anne Rice para as editoras americanas. Para a seleta do Território V – Vampiros em Guerra foi aberto um concurso válido para todo território nacional onde qualquer escritor poderia participar. Apenas 10 contos seriam selecionados. Comecei a triagem em setembro passado e em dezembro comecei a leitura de mais ou menos 120 contos. Notei que tinha muita gente por aí confundindo novela com conto que é uma unidade de efeito, uma célula de ação; outros mandavam trechos de seus romances pela vontade de serem publicados e outros mandavam textos que fugiam ao tema só para terem uma avaliação feita por mim. No final foi muito divertido fazer, ainda que trabalhoso, ainda que tenha tomado um tempão. Mas só ficou o que tinha de melhor. Literalmente uma seleta! Para iluminar o livro, convidei outros dez autores mais tarimbados, fossem eles da área da literatura fantástica ou não. Gente do calibre de Flávia Muniz (Os Noturnos); Giulia Moon (Vampiros no Espelho); Raphael Draccon (Dragões do Éter); Cid Vale Ferreira (Voivode); Luis Eduardo Matta (120 Horas); Camilo Vannuchi (revistas Época e IstoÉ); você, meu querido Marcelo Maluf (Jorge do Pântano que fica logo Ali); Juliano Sasseron (Crianças da Noite); Octavio Cariello (A Tríade); entre outros. Com certeza, um livro indispensável na estante não só do fã de vampiros, mas de boa literatura em geral.

Kizzy Ysatis é autor de CLUBE DOS IMORTAIS, A Nova Quimera dos Vampiros (Prêmio RACHEL DE QUEIROZ - UBE) e DIÁRIO DA SIBILA RUBRA - O Retorno das Bruxas. Ambos publicados pela Novo Século Editora. Seu nome de batismo é Cristiano Marinho e, além de escrever, atualmente cursa o 3º ano de jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul.
http://kizzyysatis.blogspot.com/
http://kizzyysatis.blogspot.com/

8 comentários:
Maravilhosa essa entrevista! Não conhecia o autor... vou procurar conhecê-lo, temos um gosto parecido e parece extremamente inteligente!
Mais uma vez parabéns pelo seu trabalho, Luluf!!! Vc me inspira!
Claudia Malaco
Muito massa esse papo com o Kizzy. Parbéns Malufinho pelo primor que esse teu espaço de arte, indubitavelmente, arte.
Grande abraço pro Kizzy, muito sucesso e não vejo a hora de ler "0O menino que fazia xixi nas nuvens"!
P.S. "O perfume", com anotações de Kizzy, esquecido displiscentemente na mesa de um café, está em meu poder, entretanto a falha memória nunca me fez entregá-lo pois o coloquei nos recônditos de minha estante e todas as vezes que ia ter com o Kizzy, ficava com uma sensação de que estava esquecendo algo que só agora sei o que é... foi maus!!!
Marcelo
Mais uma vez obrigado pelo convite, foi uma honra visitar seu labirinto. A pergunta mais divertida foi a do Minotauro e, acredite, fiquei uma tarde toda pensando nela, imaginando.
Agora que li os comentários vi que a entrevista mal saiu e já tem seu primeiro resultado positivo, achei meu Perfume perdido. Valeu, Tiago, por ter cuidado do meu Süskind.
Abraços
Kizzy é, indubitavelmente, maravilhoso... guardião de palavras ancestrais e possuidor dos segredos do tempo (segredos que sussurra ao vento com ousadia ímpar). O título de Peregrino do Tempo não cairia tão bem noutra pessoa quanto cai por sobre o singular Cristiano!!!
Parabéns, senhor Maluf e, com toda a certeza, parabéns, querido Kizzy!!
Também não conhecia!
Tenho medo de vampiros. Não leio, mas meus alunos gostam. Cruzes!
Abraço
Adoro Kizzy!!! Com todas suas "esquisitices" é um doce de pessoa e, como ele mesmo diz, muito talentoso!
Excelente entrevista.
Muito boa a entrevista...parabéns senhor Maluf
A lista de livros/autores citados por Kizzy é maravilhosa, nossa! parabéns pelo bom gosto e talento.
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