Luís quer ser ESTUDADOR! Foi o que me segredou ao pé do ouvido quando lhe interroguei sobre os seus sonhos e desejos. Luís tem dez anos e lê com muita dificuldade. Escreve com dificuldade dobrada. Gosta, como toda criança, de correr, de brincar, de se arrastar pelo chão, de gritar e, às vezes, emburra num canto, fica quieto, chora, não quer fazer nada. Luís é um dos muitos alunos das oficinas de arte e literatura que coordeno, nas periferias dessa imensidão que é a cidade de São Paulo.
O que será isso? ESTUDADOR!? Pensei que o Luís, talvez, quisesse ter dito estudante.
- É isso, Luís? – perguntei. Fez que não com a cabeça e confirmou:
- ESTUDADOR!!!
Fiquei mais intrigado ainda. Estudador, pensei, pode ser alguém que estuda a dor. Mas não era isso. Óbvio demais. Estudador, assim tudo junto, devia ser outra coisa. E pensei, e pensei, até que concluí que Estudador é um sujeito que conhece as coisas como um apaixonado, não como um estudante comum. Sim, a paixão é algo ardente, queima e dói. E quem estuda assim, sente dor, conhece as coisas com intimidade, com intensidade, como um verdadeiro amante. Na verdade, conhece as coisas como uma criança. Não, o Luís não me explicou nada disso. É que enquanto eu pensava, ele se agarrou às minhas pernas e quase me derrubou, depois correu e ficou ao lado do interruptor, acendendo e apagando a luz da sala, deitou sobre uma das mesas e a arrastou como se a mesa fosse uma extensão do seu corpo.
- É isso, Luís? – perguntei. Fez que não com a cabeça e confirmou:
- ESTUDADOR!!!
Fiquei mais intrigado ainda. Estudador, pensei, pode ser alguém que estuda a dor. Mas não era isso. Óbvio demais. Estudador, assim tudo junto, devia ser outra coisa. E pensei, e pensei, até que concluí que Estudador é um sujeito que conhece as coisas como um apaixonado, não como um estudante comum. Sim, a paixão é algo ardente, queima e dói. E quem estuda assim, sente dor, conhece as coisas com intimidade, com intensidade, como um verdadeiro amante. Na verdade, conhece as coisas como uma criança. Não, o Luís não me explicou nada disso. É que enquanto eu pensava, ele se agarrou às minhas pernas e quase me derrubou, depois correu e ficou ao lado do interruptor, acendendo e apagando a luz da sala, deitou sobre uma das mesas e a arrastou como se a mesa fosse uma extensão do seu corpo.
Luís não precisa de nota de rodapé. Está dito nele, é preciso saber lê-lo. Luís não precisa mais querer, ele já é um Estudador.
Por fim, também cheguei a concluir, rapidamente, que eu também queria ser como o Luís: um ESTUDADOR. Mas acho que eu ainda levo tempo.
Por fim, também cheguei a concluir, rapidamente, que eu também queria ser como o Luís: um ESTUDADOR. Mas acho que eu ainda levo tempo.
4 comentários:
Pois eu acho que você já é um estudador. O fato de não se achar um é a característica primeira de sê-lo. Porque um estudador sempre deseja ser Estudador, ele nunca acha que é. Esse é o mistério, a eterna procura. Parabéns pelo site. Encontrei pessoas queridas aqui e outras que acabei conhecendo mais. Beijins, Cris Dias.
O desejo de todos é chegar a ser Luis, um verdadeiro Estudador. Lembrei com seu texto da querida Tatiana Belinky dizendo que a criança não estuda, aprende. Taí outra vontade de todo aquele que percebe a delícia de saber: ser um Aprendedor.
Belíssimo texto.
Olá Marcelo. Meus parabéns pelo site. Tomei conhecimento desse espaço fantástico através do site da Daniela, que também é fantástica. Sua história é incrível e me comovo muito com ã fantasia tão linda dessa criança, fantasia essa que já é uma realidade pra ela. Agora, o que é mais triste é saber que criaturas tão ricas assim são ignoradas por aqueles que governam esse nosso canto de mundo.
Quem disse que você não é um estudador? Francisco Gregório Filho em suas oficinas de contadores diz que educador educa a dor. Sinto esta dor diariariamente nas escolas onde trabalho. Este Luís deve ser incrível. E haja paciência...
Abraços.
Postar um comentário