Fui literalmente levado à casa de Tatiana Belinky pelo amigo e escritor Cláudio Fragata, há um bom tempo, amigo da escritora. Passamos uma tarde de sábado maravilhosa e inesquecível ao lado dela. Tatiana nos recebeu com chocolates e salgadinhos de palito, sabe? Com um sorriso de criança, por isso não foi nada difícil me sentir íntimo dela.
Sentada em sua poltrona mágica, de onde faz surgir seus originais, os livros que está lendo, objetos e idéias, Tatiana está sempre no lugar privilegiado do seu imaginário. Posso dizer que entre àquelas duas pessoas fantásticas, quem saiu ganhando dali fui eu: escutar, escutar e escutar, como um aprendiz que sou dessa feitiçaria, que é escrever para crianças e jovens. Mas como não agüento ficar calado, também falei um pouco. Conversamos sobre literatura, vida, gatos, bruxas, Emília, tradução, bolos, vinho do porto, chocolates, etc,etc, etc...Levei um bolo feito pelos monges do mosteiro de São Bento, o Dom Bernardo, feito com passas, nozes, chocolate e outras coisas misteriosas no ingrediente, que tanto o Cláudio quanto a Tatiana comeram com muita vontade!
Sentada em sua poltrona mágica, de onde faz surgir seus originais, os livros que está lendo, objetos e idéias, Tatiana está sempre no lugar privilegiado do seu imaginário. Posso dizer que entre àquelas duas pessoas fantásticas, quem saiu ganhando dali fui eu: escutar, escutar e escutar, como um aprendiz que sou dessa feitiçaria, que é escrever para crianças e jovens. Mas como não agüento ficar calado, também falei um pouco. Conversamos sobre literatura, vida, gatos, bruxas, Emília, tradução, bolos, vinho do porto, chocolates, etc,etc, etc...Levei um bolo feito pelos monges do mosteiro de São Bento, o Dom Bernardo, feito com passas, nozes, chocolate e outras coisas misteriosas no ingrediente, que tanto o Cláudio quanto a Tatiana comeram com muita vontade!
Tatiana e CláudioO primeiro motivo da minha visita era simplesmente conhecê-la, o segundo, convidá-la para participar de uma antologia infanto-juvenil que estou organizando para a editora Terracota e, por (pen)último e terceiro, fazer uma entrevista. Bem, saí de lá não querendo sair, poderia passar dias e dias ali, aprendendo com ela, com os gatos que de vez em quando entravam, com as bruxas espalhadas pela casa, com suas vivências, histórias e grande sabedoria. Ao Cláudio Fragata, que é uma figura que a cada dia admiro mais, minha gratidão eterna por esse dia.
Abaixo, apenas um pedacinho do que foi a nossa conversa. Consegui a entrevista e a participação da Tatiana na antologia. Quanto a conhecê-la!?...hum, acho que vou precisar de muitas outras visitas...
1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R. São tantos lugares, não tenho um, estou sempre num outro...O céu é o limite, e nem é!
2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R. Ah! Eu montaria nele...o pegava pelo chifre!
3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R. Emília.
Abaixo, apenas um pedacinho do que foi a nossa conversa. Consegui a entrevista e a participação da Tatiana na antologia. Quanto a conhecê-la!?...hum, acho que vou precisar de muitas outras visitas...
1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R. São tantos lugares, não tenho um, estou sempre num outro...O céu é o limite, e nem é!
2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R. Ah! Eu montaria nele...o pegava pelo chifre!
3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R. Emília.

4. Qual é a importância da imaginação, da memória e da observação em seu processo criativo?
R. Estou escrevendo um texto agora falando nisso. Exatamente isso, o que é preciso...necessário para escrever: a observação, a imaginação, a curiosidade, olhos de ver, essas coisas todas. Ler o mundo, escrever o mundo e a vida!

5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R. Ah! Meu pai...Meu pai que lia pra mim, e contava histórias, e dizia poemas sempre da melhor qualidade, ele era um diseur (declamador) ele realmente interpretava. Então eu amei poesia, principalmente poesia, e também histórias que toda criança gosta. E ele contava tão bem que eu queria também ler, e comecei a ler com quatro anos, muito cedo...As crianças sempre me perguntam: quando foi que você começou a escrever, e eu digo: Quando eu aprendi a escrever, pra que vocês acham que a gente aprende a escrever?

6. Se você tivesse uma máquina do tempo, que escritor(a) ou poeta do passado você desejaria encontrar?
R. Ai! São tantos, desde a minha infância, os russos maravilhosos, como: Puchkin, Lermontov... os ingleses mais tarde...os alemães: Schiller, Goethe, Heine. Eu me criei com a grande poesia. Queria fazer uma reunião, uma mesa redonda e falar com todos eles!
7. Qual foi o último livro que você leu e recomenda?
R. No momento estou lendo Philip Roth (em inglês) ele é muito bom! E recomendo ler o que você gosta de ler. O que te dá prazer. Se você não gostar do livro, larga! O professor de literatura francês Daniel Pennac, diz no seu livro “Como um romance” (Rocco – L&PM Pocket), da sua experiência, em Paris, onde se lê bem mais do que aqui, trabalhando com crianças e adolescentes. E começa o livro assim: “O verbo ler não comporta imperativo, como dois outros verbos, o verbo amar e o verbo sonhar. São coisas que não se manda fazer, elas acontecem! E quanto ao livro, se deixa, não é obrigação, não é nada disso... É prêmio! E uma coisa que ele diz naqueles dez mandamentos do leitor, muito engraçados por sinal, é que o leitor tem o direito de não ler se não quiser, de ler detrás pra diante, começar do meio, e por aí vai. Liberou geral! Desde que leia.
8. Cite três livros escritos para crianças e jovens que você acha imperdíveis?
R. Como diz a minha neta: se não faz rir, ou chorar, ou ter medo, ou ter raiva, não interessa! Agora, se isso acontece, interessa qualquer um. E quanto à faixa etária, vivem me perguntando isso, eu digo: a faixa que me escolha! Eu escrevo o que eu tenho vontade de escrever! Agora recomendar... existe, por exemplo, para as crianças muito pequenas as histórias também pequenas, etc, etc, etc. E que são também clássicas, se repetem, se repetem, se repetem. Os contos de fadas...Houve uma época em que se falava mal dos contos de fadas, depois graças a Deus, apareceu Bruno Bettheleim, mas eu já falava isso há muito tempo, eu nem sabia dessas coisas todas... Meu pai me lia poemas terríveis! Assustadores! Eu curtia o ritmo, a linguagem, se a coisa era de assustar ou não era, nem me interessava, eu queria ter um prazer, como dizia o meu pai, um prazer estético, leia com expressão, não pode ser blá blá blá. Tem que ler e entender o que se está lendo, e interpretar, ele dizia.
AQUI EU DISSE PARA TATIANA: Agora uma última pergunta. “PENÚLTIMA” ELA ME CORRIGIU, "TUDO É PENULTIMO PRA MIM, NÃO EXISTE ÚLTIMO".
9. O que você diria para um escritor em início de carreira que está se dedicando a literatura infantil e juvenil?
R. Também estou escrevendo sobre isso agora. Bem, há três condições sine qua non: ler, ler e ler. Depois disso tem mais algumas condições, e são muitas: ter uma idéia, ter imaginação, ter liberdade no que você pensa, no que você quer contar. Liberou geral! O que você quiser escrever, você escreve, o que você pensar, escreva. O que não existe, existe! Isso eu digo para as crianças! Alguns dizem: “Bruxa não existe!”. É claro que existe! Se você fala dela é por que existe! E por aí vai.

Tatiana Belinky nasceu em São Petersburgo (Rússia) no dia 18 de março de 1919. Chegou com a família ao Brasil aos dez anos de idade, fugindo das guerras civis que assolavam a então União Soviética. Nesta altura, Tatiana já falava russo, alemão e letão. Aos dezoito anos, após concluir um curso preparatório, começou a trabalhar como secretária-correspondente bilíngüe, nos idiomas português e inglês. Aos vinte ingressou no curso de Filosofia da Faculdade São Bento, mas abandonou-o em seguida, quando casou-se com o médico e educador Júlio Gouveia. O casal tem dois filhos. No ano de 1948, começa a trabalhar em adaptações, traduções e criações de peças infantis para a prefeitura de São Paulo em parceria com o marido. Em 1952 encenam "Os Três Ursos" em pedido da TV Tupi, que atinge grande sucesso. O êxito deste trabalho foi definitivo para a carreira da escritora iniciante: o casal é convidado a ter um programa fixo na emissora. Dentro da casa, Tatiana e Júlio fazem a primeira adaptação de o "Sítio do Picapau Amarelo", de Monteiro Lobato. O trabalho do casal na Tupi seguiria até 1966. Neste ínterim, Tatiana Belinky recebe seus primeiros prêmios como escritora, além de tornar-se presidente da CET (Comissão Estadual de Teatro de São Paulo). Em 1972 passa a trabalhar na TV Cultura e em grandes jornais do estado de São Paulo, como a Folha de São Paulo, o Jornal da Tarde e O Estado de São Paulo, escrevendo artigos, crônicas e crítica de literatura infantil. Finalmente, em 1985, Tatiana Belinky desponta como escritora de livros, colaborando em uma série infanto-juvenil. Em 1987 publica o primeiro livro: "Limeriques", pela editora FTD, baseando-se nos limericks irlandeses. A partir desta publicação, Tatiana passa a trabalhar fervorosamente sobre novas criações, chegando a escrever mais de cem obras. Suas publicações são acompanhadas por vários prêmios literários, entre eles o célebre Prêmio Jabuti, recebido em 1989. De sua vasta obra, destacam-se "Coral dos Bichos", "Limeriques", "O Grande Rabanete", "Di-versos russos", "Limerique das Coisas Boas", entre outros. Nestes últimos anos, Tatiana Belinky tem também publicado livros de crônicas, memórias, traduções entre outros para crianças e jovens.
R. Também estou escrevendo sobre isso agora. Bem, há três condições sine qua non: ler, ler e ler. Depois disso tem mais algumas condições, e são muitas: ter uma idéia, ter imaginação, ter liberdade no que você pensa, no que você quer contar. Liberou geral! O que você quiser escrever, você escreve, o que você pensar, escreva. O que não existe, existe! Isso eu digo para as crianças! Alguns dizem: “Bruxa não existe!”. É claro que existe! Se você fala dela é por que existe! E por aí vai.

Tatiana Belinky nasceu em São Petersburgo (Rússia) no dia 18 de março de 1919. Chegou com a família ao Brasil aos dez anos de idade, fugindo das guerras civis que assolavam a então União Soviética. Nesta altura, Tatiana já falava russo, alemão e letão. Aos dezoito anos, após concluir um curso preparatório, começou a trabalhar como secretária-correspondente bilíngüe, nos idiomas português e inglês. Aos vinte ingressou no curso de Filosofia da Faculdade São Bento, mas abandonou-o em seguida, quando casou-se com o médico e educador Júlio Gouveia. O casal tem dois filhos. No ano de 1948, começa a trabalhar em adaptações, traduções e criações de peças infantis para a prefeitura de São Paulo em parceria com o marido. Em 1952 encenam "Os Três Ursos" em pedido da TV Tupi, que atinge grande sucesso. O êxito deste trabalho foi definitivo para a carreira da escritora iniciante: o casal é convidado a ter um programa fixo na emissora. Dentro da casa, Tatiana e Júlio fazem a primeira adaptação de o "Sítio do Picapau Amarelo", de Monteiro Lobato. O trabalho do casal na Tupi seguiria até 1966. Neste ínterim, Tatiana Belinky recebe seus primeiros prêmios como escritora, além de tornar-se presidente da CET (Comissão Estadual de Teatro de São Paulo). Em 1972 passa a trabalhar na TV Cultura e em grandes jornais do estado de São Paulo, como a Folha de São Paulo, o Jornal da Tarde e O Estado de São Paulo, escrevendo artigos, crônicas e crítica de literatura infantil. Finalmente, em 1985, Tatiana Belinky desponta como escritora de livros, colaborando em uma série infanto-juvenil. Em 1987 publica o primeiro livro: "Limeriques", pela editora FTD, baseando-se nos limericks irlandeses. A partir desta publicação, Tatiana passa a trabalhar fervorosamente sobre novas criações, chegando a escrever mais de cem obras. Suas publicações são acompanhadas por vários prêmios literários, entre eles o célebre Prêmio Jabuti, recebido em 1989. De sua vasta obra, destacam-se "Coral dos Bichos", "Limeriques", "O Grande Rabanete", "Di-versos russos", "Limerique das Coisas Boas", entre outros. Nestes últimos anos, Tatiana Belinky tem também publicado livros de crônicas, memórias, traduções entre outros para crianças e jovens.
Tatiana e eu
7 comentários:
Que delícia de conversa! Fiquei também babando, com vontade de mais. Desde pequena adoro a Tatiana Belinky, me lembro que achava que o nome dela tinha som de móbile musical, daqueles que as peças batem umas nas outras e fazem um som delicado.
Adorei. Me fez querer a infância.
Que presente maravilhoso poder conversar com Tatiana Belinky! Eu tive a honra de conhecê-la pessoalmente quando ela autografava seu livro de conto alemão "Kanniferstan" na Bienal de 2006 no stand da FTD.
Que coisa boa!
Tatiana é uma delícia mesmo, já tive este prazer também, Marcelo!
E amei mesmo a última resposta: escrever com liberdade, fazer existir o que não existe. Isto é lindo!
Beijos
Cristiane Rogerio
Oi!!! Adorei a entrevista viu! A história do (PEN)ÚLTIMO, é ótima. Mas tenho uma reclamação! Fiquei com vontade de comer o bolo e o chocolate! rsrsr Beijo
Oh, que lindinha!
Eu não tive este prazer. A entrevista foi uma maravilha e a penúltima pergunta foi a que mais gostei!
Abraços rápidos porque ando tão sem tempo!
Marcelo, que visita boa no meu blog! Obrigada pelo comentário!
Sempre que posso dou uma passadinha aqui para apreciar os seus escritos.
A Tatiana é uma graça, né? Quando fui à casa dela, em uma quinta-feira fria e chuvosa, o que mais me chamou a atenção foi uma mesinha com rodinhas, bem ao lado da poltrona verde, que tinha de tudo: bruxas, linhas, agulha, livros... me deu uma vontade de ir ficando, aprendendo, conversando... Ainda bem que ela existe!
Beijos.
Que maravilha essa conversa no sótão! Aliás, tem tanta coisa boa para ler no seu blog que, de fato, nos perdemos pelos labirintos. Adorei e voltarei mais vezes, com certeza! Bjins e até!
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