2.11.08

Conversas no Sótão com Marilia Pirillo


Minha entrevistada da vez é a escritora e ilustradora Marilia Pirillo. E assim deu a nossa prosa:

1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R.
“Longe, muito longe dos edifícios altos e das cidades grandes, num lugar em que não há máquinas ruidosas para demolir o velho e construir o novo em nome de uma febre que se chama progresso; num pedaço de terra em que a paz e o sossego ainda são muito mais importantes do que um arranha-céu... No ramal desconhecido de uma velha ferrovia esquecida, junto a um povoado tranqüilo e pacato, existe um sítio...”
Extraído de um dos capítulos da série de tevê, quem quiser pode conferir na íntegra em:
http://br.youtube.com/watch?v=j528ICXhJEQ&NR=1


2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R.
Cara, as voltas que a vida dá! Tô andando por aí, meio sem rumo e, de repente, pá! encontro você aqui, sozinho... Tão grande, tão forte! Perdido nesse labirinto... Parece destino! Nós dois aqui, ninguém por perto... Loucura, né? Ei! Vai com calma! Cadê o vinhozinho, a trilha sonora, as preliminares?

3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R.
“ Narizinho, narizinho
sonha, sonha com amigos
uma fada brasileira
de agrados e castigos”

4. Qual é a importância da imaginação, da memória e da observação em seu processo criativo?
R.
Meu processo criativo é democrático. Imaginação, memória e observação convivem de forma relativamente pacífica na minha mente. Todas são muito participativas, tanto que ás vezes falam juntas, se atropelam, se misturam... mas não se desgrudam. Bem coisa de mulher!
A imaginação tem personalidade forte, é meio temperamental. Acha que sempre pode fazer diferente, muda de idéia toda hora, ás vezes some e depois volta sem dar explicação e querendo trocar tudo de lugar. A memória, uma senhora já idosa, adora a vivacidade da imaginação, coisa que ela já não. Vez por outra, a coitada, tem umas crises de amnésia e se atrapalha toda. A imaginação, apesar de inquieta, costuma cuidar dela nesse momentos. E quando a memória volta a si, já nem sabe mais o que é idéia sua e o que é idéia da companheira. Já a observação é mais calada, mais introspectiva. Faz um tipo intelectual, gosta de ler, ouvir música, andar pelas ruas sem pressa... Ás vezes oferece chá com biscoitos para as amigas, no fundo com o secreto intuito de provocá-las só para mostrar que é a dona da razão.

5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R.
Não sei porque na minha casa quase não havia livros. Li muito pouco na minha infância. Mas brinquei muito no quintal, comi goiaba no pé, vi muita televisão e não sobreviveria sem a minha coleção de disquinhos coloridos e minha vitrolinha portátil.
Só descobri a leitura na adolescência, quando, para fugir dos recreios difíceis da escola, me ilhava na biblioteca. Que fuga espetacular! Virei uma leitora faminta. Me tornei rata de sebos e aos poucos povoei minha casa de livros!

6. Se você tivesse uma máquina do tempo, que escritor(a) ou poeta do passado você desejaria encontrar?
R.
Queria ter sido amiga íntima da Clarice Lispector. Queria ter trocado com ela aquelas cartas maravilhosas, profundas, cheias de desabafos, poesia, cumplicidade e muito, muito senso de humor.




Marilia Pirillo é gaúcha de Porto Alegre, nascida em 1969. Estudou Artes e se formou em Publicidade e Propaganda pela PUCRS. Começou a carreira trabalhando com projeto gráfico, editoração e ilustração de revistas de atividades para crianças. Em 1995 ilustrou seus primeiros livros infantis e em 1998, criou o Laboratório de Desenhos, estúdio destinado a criar ilustrações para o mercado publicitário e editorial. Em 2004, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde reside atualmente.Participou de cursos de pintura, ilustração, roteiro, escrita e criação literária. Nos últimos anos tem se dedicado exclusivamente à ilustração de livros e a criação de textos para o público infantil e infanto-juvenil.
"Todo meu trabalho é voltado para as crianças, pequenas e grandes. As que vivem ao nosso redor e as que vivem dentro de nós. Ao tentar me comunicar com esse público preciso resgatar minhas memórias e emoções de infância: é deliciosamente desafiador! "
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1 comentários:

ma disse...

Bom,falar de vc não é muito difícil,pois vc é maravilhosa,agradeço,sempre por ter te conhecido e convivido com vcs,parabéns pelo sucesso vc merece. Erismar.mabiluac27@yahoo.com.br

Imagem: Rogério Pinto