4.10.08

Conversas no Sótão com Ricardo Giassetti



Meu entrevistado da vez é o jornalista, roteirista e um dos criadores da Mojo Books:
RICARDO GIASSETTI. E assim se deu a nossa conversa no sótão:



1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R.
Há vários, mas o primeiro que vem a cabeça é Tlön, o país imaginário de Jorge Luis Borges. Realismo fantástico fácil de acreditar. Mas esse é mais estilístico e curioso, mais bonito de citar como referência. Um mais divertido, sem dúvida, é o País das Maravilhas. Colorido e lisérgico com coelhos falantes que sabem ler as horas, exércitos de cartas de baralho e chás que dariam motivo para uma batida policial na casa do chapeleiro.





2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R.
Tentaria fazer amizade dizendo: "Puxe meu dedo."




3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R.
Algum dos protagonistas do Mark Twain ou do Charles Dickens. Talvez Sherlock Holmes ou Capitão Nemo. Qualquer outro personagem de literatura seria rebuscado demais, cheio de conflitos interiores e com o mundo, enfim, humano demais. Já imaginou ser um personagem e cair na mão do Kafka, do Camus ou do Sartre? Seria uma vida de sofrimento haha. Bem, deve ser isso, então; a vida dos personagens infantis me atrairia mais seu eu tivesse de viver suas vidas? Vidas que não ficam velhas.






4. Qual é a importância da imaginação e da memória em seu processo criativo?
R.
A importância de ambas é extrema, mas confesso que elas me escapam muito mais do que eu gostaria. A suplente que cobre suas faltas é a prima Pesquisa. Se não há uma idéia, leio para tê-las – ou roubá-las. Se não lembro de um fato ou detalhe, releio. Se não existe registro escrito do fato, pergunto a quem o presenciou. Escrever por pura inspiração – e escrever bem, – é para os mágicos. Eu me sinto apenas um operário que vai montando um produto na linha de montagem desorganizada da minha cabeça. Quando falta uma peça, procuro naquela grande caixa de parafusos e porcas.




5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R.
Que tal Lee Falk, que criou o Fantasma? Foi com gibis que entendi o que era a narrativa. Depois vieram Marcos Rey na Coleção Vagalume e João Carlos Marinho com O Gênio do Crime. Seguindo cronologicamente, Agatha Chrystie, Dashiell Hammett, James Hilton, Wilde, Machado de Assis, Kafka. A Paris de Hemingway, Joyce, Proust, Pound, Fitzgerald, depois os latinos Garcia Márquez, Borges e muita literatura fantástica. Mas tudo isso não teria chegado em minhas mãos não fossem os quadrinhos de Alan Moore, Harvey Kurtzman e Goscinny.





6. Se você tivesse uma máquina do tempo, que escritor(a) ou poeta do passado você desejaria encontrar?
R.
Shakespeare ou Homero, para tirar umas dúvidas.






Ricardo Giassetti tem 36 anos e é publicitário, jornalista e roteirista. É um dos criadores e editor do site interativo de literatura e música MOJO Books (www.mojobooks.com.br), escritor de várias histórias em quadrinhos de ficção histórica como "Down the river", para a Terra Major e o recém-lançado "O Catador de batatas e o filho da costureira". Foi editor e tradutor de centenas de obras, como "Sin City", "A Liga dos Cavalheiros Extraordinários", "Sandman", "Os Invisíveis". Nasceu em Jundiaí e vive em São Paulo há 12 anos.

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Imagem: Rogério Pinto