8.9.08

Dica de Leitura: A Última Guerra, de Luiz Bras e Tereza Yamashita


A quatro mãos, Luiz Bras e Tereza Yamashita já nos deram livros belíssimos como A poção da Vida (Ed. LGE), Bia Olhos Azuis (Ed. Alaúde), entre outros. A dupla dinâmica vem se firmando como um dos grandes nomes da nossa literatura para crianças e jovens. Desta vez, nos apresentam A ÚLTIMA GUERRA, livro que faz parte da recém-lançada Coleção Leituras Descoladas, da editora BIRUTA; um trabalho primoroso de edição e design, que ainda conta com autores como Jorge Miguel Marinho, Luis Antonio Aguiar, Marília Pirillo, Sandra Pina e Caio Ritter.
O livro de Luiz e Tereza é narrado pelo personagem Miguel, um garoto de 11, 12 ou 13 anos de idade; nem ele mesmo tem certeza disso, que acaba de perder toda a família num bombardeio. Miguel é o tipo de personagem que carrega o leitor para dentro do livro, que o tira de sua passividade e o provoca: “Não sei se posso confiar em você (...) Fecha esse livro, vai fazer outra coisa. Aposto que aí, onde você está, o dia está maravilhoso, não é? (...) Tá ouvindo as explosões lá fora? Estão cada vez mais perto.” E também nos convida a se emocionar e refletir com ele: “A cidade toda estava em ruínas: dos prédios, dos edifícios comerciais, das casas e das árvores, tudo o que sobrara eram tocos fumegantes. (...) Então, dos destroços, começaram a aparecer pessoas. Gente com o rosto desfigurado, em prantos.” E ainda: “Pra mim, gente que usa capacete e carrega uma metralhadora não pode ser considerada amiga. De jeito nenhum.”
A voz do personagem é absurdamente forte. O humanismo contido no texto não é didático, muito menos piegas. É sim o sonho de paz dos autores. Um sonho poético e fantástico. O encontro de Miguel com o velho Ferreira Bueno, um sujeito misterioso e assombroso que lhe fará uma proposta, irá mudar a vida do garoto para sempre. Mas a partir daqui eu não posso dizer mais nada. Apenas que o livro de Luiz e Tereza é o tipo de obra destinada aos jovens que escapa aos enquadramentos da indústria do livro, e que merece ser lido como boa literatura que é. Pelos filhos e pelos pais.
Por fim, o leitor descobrirá que Miguel é um herói, mas um herói sem glórias ou condecorações, um herói para si mesmo. Em segredo.

Que venham outros livros da dupla!

1 comentários:

Anônimo disse...

Marcelo, obrigado pelo generoso comentário! Infelizmente o tema da guerra nunca sai de moda, por isso (mais uma vez: infelizmente) parece que esse livro, que a gente escreveu em 2000, continuará atual por muito tempo. Então, enquanto as bombas continuam caindo, o que sobra? A arte, sempre.
Um abraço do Luiz e da Tereza

Imagem: Rogério Pinto