1.9.08

Dica de Leitura do Labirinto: LENORA, de Heloísa Prieto


Heloísa Prieto tem na bagagem mais de quarenta títulos publicados para crianças , jovens e adultos. É fascinada confessa por autores de suspense como Bram Stocker e Edgar Allan Poe. Deste último, emprestou para a epígrafe do seu mais recente livro: LENORA (Ed. Rocco - Jovens Leitores), os seguintes versos:
"Ah, foi rompida a taça dourada! Teu espírito escapou eternamente!
Que dobre o sino! Uma santa alma já cruza o rio Estígio!
E, tu, Guy de Vere, não vertes lágrimas? Chores agora ou nunca mais!
Veja, no terrível esquife jaz teu amor, Lenora!
Leiam-se ritos funerários e o canto derradeiro,
Um hino à mais nobre rainha, a mais jovem a partir,
Que duplamente morreu, ainda tão jovem ao sumir."
A bela epígrafe dá um pouco o tom da narrativa, que se passa entre os anos 70 e os dias atuais. Mais precisamente 2006. Mas o livro começa mesmo com a seguinte pergunta:
Qual foi a mais estranha, horrível e desastrosa de todas as decisões que você já tomou na vida? Pergunta que, aliás, está de maneira subliminar em quase todo o texto.
A narrativa é fluida e deliciosa, cheia de referências vindas do universo da literatura como o citado Allan Poe, e também do rock, como o camaleão David Bowie, os Rolling Stones, entre outros nomes.
Este livro fala de sonhos, desejos, amizades, amores, desamores, tragédias, mitos e místicas. Retrata o período de efervescência cultural dos anos 70 e suas experimentações, e também uma geração um pouco mais pessimista, ou sem perspectivas, dos nossos dias. No entanto, há uma comunicação direta entre àquela e esta, seja pela reverência dos mais jovens aos anos 70, seja pela busca de um caminho, de um rumo a seguir.
Quem ler o livro de Heloísa, irá conhecer a estranha história dos amigos Ian, Duda, Peninha e Lenora. A história da banda que montaram e o que está por detrás dos desejos e sonhos de cada um deles. Também o leitor irá conhecer a história de uma outra Lenora, que vive em 2006 e sua relação com a Lenora da década de 70.
Prieto sabe como contar uma história e faz de LENORA um livro que deveria constar na biblioteca de qualquer jovem leitor e, por que não, de leitores adultos? Afinal de contas uma boa história não tem idade, não é mesmo?

1 comentários:

Serenade disse...

Eu também achei esse livro muito bom e sempre o apresento aos meus amigos: acho que você teria prazer em lê-lo! Fiquei feliz em constatar que temos algo em comum: incentivar boas leituras!

A Heloisa é especial; uma escritora que trabalha com consciência do subliminar, seu texto é muito bom e seu subtexto melhor ainda,rs
Beijares e abraçares

Imagem: Rogério Pinto