
O meu entrevistado da vez é um dos maiores nomes da nossa literatura contemporânea, o escritor e ensaísta NELSON DE OLIVEIRA. E assim se deu o nosso papo:
1. Qual é o seu “lugar imaginário” favorito dentro da literatura?
R. É seguramente o castelo do romance de Kafka, em que atrás de cada sala há outra sala, depois de cada corredor há outro corredor, infinitamente. Nessa construção mais antiga que o mundo, cada galeria sem entrada nem saída está acima e abaixo de outras tantas galerias sem entrada nem saída, de outros tantos labirintos. Esse castelo é na verdade uma bela metáfora para o universo. Como a biblioteca do célebre conto de Borges, ou os palacetes do Escher.
R. É seguramente o castelo do romance de Kafka, em que atrás de cada sala há outra sala, depois de cada corredor há outro corredor, infinitamente. Nessa construção mais antiga que o mundo, cada galeria sem entrada nem saída está acima e abaixo de outras tantas galerias sem entrada nem saída, de outros tantos labirintos. Esse castelo é na verdade uma bela metáfora para o universo. Como a biblioteca do célebre conto de Borges, ou os palacetes do Escher.

2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R. Eu ficaria muito espantado, na certeza de estar delirando ou de finalmente ter encontrado meu sósia perfeito. Afinal o Minotauro sou eu, sempre fui eu!
R. Eu ficaria muito espantado, na certeza de estar delirando ou de finalmente ter encontrado meu sósia perfeito. Afinal o Minotauro sou eu, sempre fui eu!
3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R. Certamente a Emília. Ela não tem superego. Isso seria maravilhoso: poder falar, escrever e fazer o que eu bem quisesse, sem ser podado principalmente pela autocensura. Não há nada pior do que a autocensura.
R. Certamente a Emília. Ela não tem superego. Isso seria maravilhoso: poder falar, escrever e fazer o que eu bem quisesse, sem ser podado principalmente pela autocensura. Não há nada pior do que a autocensura.

4. Qual é a importância da imaginação, da memória e da observação em seu processo criativo?
R. Minha literatura é a da pura imaginação. Mais do que representar as coisas como elas são, eu gosto mesmo é de criar outros mundos, outras realidades. É claro que a memória e a observação também dão, em maior ou menor grau, sua importante contribuição a esse processo.
R. Minha literatura é a da pura imaginação. Mais do que representar as coisas como elas são, eu gosto mesmo é de criar outros mundos, outras realidades. É claro que a memória e a observação também dão, em maior ou menor grau, sua importante contribuição a esse processo.

5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou na adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R. Foram os autores de literatura B, do ramo do entretenimento: Isaac Asimov e Ray Bradbury, dois prosadores norte-americanos que eu releio até hoje. Dois geniais criadores de mundos estranhos, de realidades fantásticas. Antes de conhecer a prosa mais refinada de Borges, Garcia Márquez e Cortazar, eu lia entusiasmado Asimov e Bradbury.
R. Foram os autores de literatura B, do ramo do entretenimento: Isaac Asimov e Ray Bradbury, dois prosadores norte-americanos que eu releio até hoje. Dois geniais criadores de mundos estranhos, de realidades fantásticas. Antes de conhecer a prosa mais refinada de Borges, Garcia Márquez e Cortazar, eu lia entusiasmado Asimov e Bradbury.
6. Se você tivesse uma máquina do tempo, que prosador(a) ou poeta do passado você desejaria encontrar?
R. Os escritores são muito complicadinhos, eles são em geral bastante vaidosos ou cheios de traumas e ressentimentos. É por isso que eu não tenho vontade de conhecer pessoalmente nenhum deles. Nem mesmo os que escreveram os livros mais empolgantes. Eu gosto dos livros, não necessariamente dos autores.
R. Os escritores são muito complicadinhos, eles são em geral bastante vaidosos ou cheios de traumas e ressentimentos. É por isso que eu não tenho vontade de conhecer pessoalmente nenhum deles. Nem mesmo os que escreveram os livros mais empolgantes. Eu gosto dos livros, não necessariamente dos autores.
7. O escritor e ensaísta argentino Ernesto Sábato disse em seu livro “O escritor e seus fantasmas” que “a prosa é o diurno, a poesia é o noturno” e concluiu “que não há grande romance que em última instância não seja poesia”. Você concorda?
R. Concordo, mas seguindo outro caminho. Pra mim, poesia não é sinônimo de poema ou de lírica. Poesia é a qualidade presente em certos artefatos culturais, capaz de despertar o sentimento do belo e provocar o encantamento estético. Minha definição de poesia me permite buscar essa qualidade em todas as artes. Me permite falar da poesia que há nos bons poemas, nos bons contos, na boa arquitetura, no bom cinema, no bom teatro, na boa escultura, na boa música... E nos grandes romances.
R. Concordo, mas seguindo outro caminho. Pra mim, poesia não é sinônimo de poema ou de lírica. Poesia é a qualidade presente em certos artefatos culturais, capaz de despertar o sentimento do belo e provocar o encantamento estético. Minha definição de poesia me permite buscar essa qualidade em todas as artes. Me permite falar da poesia que há nos bons poemas, nos bons contos, na boa arquitetura, no bom cinema, no bom teatro, na boa escultura, na boa música... E nos grandes romances.

Nelson de Oliveira nasceu em 1966, em Guaíra, SP. Escritor e doutorando em Letras pela USP, publicou mais de vinte livros, entre eles Naquela época tínhamos um gato (contos, 1998), Subsolo infinito (romance, 2000), O filho do Crucificado (contos, 2001, também lançado no México), A maldição do macho (romance, 2002, publicado também em Portugal), Algum lugar em parte alguma (contos, 2006) e A oficina do escritor (ensaios, 2008). Em 2001 organizou a antologia Geração 90: manuscritos de computador e em 2003, Geração 90: os transgressores, com os melhores prosadores brasileiros surgidos no final do século 20. Foi um dos curadores das duas edições dos Encontros de Interrogação, realizados no Instituto Itaú Cultural em 2004 e em 2007, e é um dos criadores da coleção Risco:Ruído, da editora DBA. Atualmente coordena a coleção Panacéia, da editora Ofício das Palavras, e o Projeto Portal, de narrativas de ficção científica. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas (1995), o da Fundação Cultural da Bahia (1996), duas vezes o da APCA (2001 e 2003) e o da Fundação Biblioteca Nacional (2007). Atualmente coordena, em várias instituições, oficinas de criação literária para escritores com obra ainda em formação.
Para saber mais, acesse: http://urbanalenda.blogspot.com
5 comentários:
Ja li A Oficina do escritor, gostei muito. O Nelson é o simbolo da conteporaneidade. Adoro.
Nelson de Oliveira, grande sujeito, um professor como poucos.
Ao lecionar na cadeira de Poesia e Outras Artes no Curso de Formação de Escritores na ESDC-SP, se mostrou sinônimo da tranquilidade no trato com os alunos, e ao mesmo tempo que nos deixou um legado que posso traduzir na seguintes palavras:
- Reconstrução, renovação, ousadia.
Abraços a Nelson de Oliveira. Obrigado pela jornada.
Sady Folch
Nelson como professor e amigo é pura generosidade. E não das lugar-comum ou óbvias. Ele inspira, cutuca, apresenta. É um orientador, um mestre. Um amigo.
beijos, Marcelo!
Cris Rogerio
Oie! Faz tempo que não passo aqui? Mudou a página, tá bonita que só!
Beijos procê!
;o)
Linda entrevista! sincera e provocativa!!!! fico feliz de compatilhar, mesmo que com distância, da presença de Nelson de Oliveira aqui em casa. Querido você não podia estar melhor acompanhado.
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