10.9.08

Conversas no Sótão com Edson Cruz




Meu entrevistado é o poeta EDSON CRUZ, editor e co-fundador do portal de literatura e arte Cronópios.

E assim se deu a nossa conversa:




1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R.
Meu lugar imaginário são as palavras. As palavras em estado de dicionário, como dizia o ainda essencial Drummond. Lá é que moram todos os sentidos imaginados, imaginários, por imaginar. Os lugares e os deslugares. Mundos não mudos habitados por ninguém e por todos que formamos esta espécie predadora chamada Humana, mas que construiu esta riqueza que é a expressão com palavras, sons, línguas.




2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R.
Vem cá meu tourinho. Vamos dar uma chifradinha em Ariadne? Sou todo seu: Teseu.





3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R.
Se posso me expressar assim, creio que Borges foi um dos maiores personagens da Literatura mundial. Apoderou-se da memória de outros, de várias culturas e construiu uma obra híbrida que só valorizou e deu contornos míticos ao personagem que criou para si mesmo – o Outro de seu próprio conto ‘Borges e Eu’.
Só não gostaria de ser acometido pela sua cegueira. Mas aí eu não seria Borges. Nem mesmo um Glauco Mattoso. Ou seria? Bem, vou criar outro personagem.




4. Qual é a importância da imaginação e da memória em seu processo criativo?
R.
Falar sobre o processo criativo de alguém que produziu tão pouco, ainda, e não tem nem o começo de uma obra esboçada, como eu, é no mínimo pretensioso.



5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R.
Não me lembro de um em especial. Sempre fui um leitor onívoro. Lembro-me vagamente de ter lido toda a coleção da revista Seleção Reader Digest que havia na biblioteca do Seminário onde estudei. No colégio lembro-me de alguns livros de Jorge Amado que me deram gosto. “Quincas Berro D’Água”, foi uma descoberta. Agora, o marco para mim foi a leitura e análise de um poema de Drummond: “Sete Faces”. Lembro-me da aula até hoje. E da convulsão que fez em minha cabeça. Fiquei torto daí pra frente. Busquei a poesia e ainda a busco.




6. Se você tivesse uma máquina do tempo, que escritor(a) ou poeta do passado você desejaria encontrar?
R.
Rabindranath Tagore. Acho-o fascinante. Produto de uma cultura que conheço pouco, mas que originou o Budismo (que foi uma reação ao bramanismo, do qual Tagore fazia parte), prática que abracei para toda vida, em sua revisão japonesa.
Tagore foi um artista completo: poeta, romancista, artista plástico, compositor, ensaísta, crítico político, educador. Sua primeira coletânea de poesia foi publicada quando ele tinha 16 anos, se não me engano.
O Ocidente só vê o que é seu espelho. Eu prefiro olhar para onde nasce o sol: o Oriente.


Edson Cruz nasceu em Ilhéus e mora em São Paulo há uma eternidade. É co-fundador do site Cronópios e editor. Tenta concluir a graduação em Letras, na USP, há muitos anos. Publicou o livro de poemas “Sortilégio”, pelo selo Demônio Negro. Tem mais um livro de poemas no prelo e está adaptando para jovens o grande clássico “Mahabharata”. Escreve com alguma constância no blog http://sambaquis.blogspot.com/ E-mail: edsoncruz@cronopios.com.br
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DICA DE LANÇAMENTO:
O CATADOR DE BATATAS E O O FILHO DA COSTUREIRA,
DE BRUNO D'ANGELO E RICARDO GIASSETTI.

1 comentários:

Daniele V. disse...

Gosto muito das perguntas que vc faz. as respostas tb sao criativas. O-te-mo

Imagem: Rogério Pinto