1.7.08

Conversas no Sótão com Pedro Rosas


Conheço Pedro Rosas há um bom tempo, desde quando ele era baterista de umas das mais interessantes bandas do rock alternativo brasileiro, o Killing Chainsaw. De lá pra cá, muita coisa mudou, e agora Pedro está lançando o seu primeiro livro de ficção: A vida começa no verão, pela Musa Editora. Nosso papo no sótão se deu assim:
1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
Pedro Rosas:
Meu grande lugar imaginário é a metrópole. Os encontros e desencontros, os amores perdidos, distantes ou sonhados, as novas e velhas ilusões, a efervescência e superficialidade dos convívios humanos. Gosto dessas “florestas”, os lugares que estão bagunçando minha vida o tempo todo.

2. Se você entrasse num labirinto e se deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
PR:
Tentaria fazer o cara raciocinar, convencendo de que poderíamos sair juntos daquele labirinto antes que Teseu o matasse. Ou não falaria nada. Simplesmente estaria fodido!

3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
PR:
Depende da fase que estou vivendo. Alguns anos atrás, seria Dean Moriarty em “On The Road”. Quem sabe hoje eu seria o próprio Saint-Exupéry, em “Terra dos Homens”. Não sei. Tem muitos personagens. São todos cacos de um espelho que montaríamos para descobrir nosso próprio rosto. Agora se você me perguntasse que escritor eu escolheria, então a resposta seria muito fácil: João Guimarães Rosa.

4. Qual é a importância da imaginação no seu processo criativo?
PR:
A imaginação é uma ferramenta no processo, não é fundamental pra mim. Quando estou escrevendo, faço rabiscos muito instintivos por um lado, e muito racionais por outro. A imaginação talvez entre quando nenhum desses recursos estão funcionando bem. Me apoio na força, na métrica e no ritmo da narrativa, e não me preocupo muito com as fantasias, com os devaneios.

5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
PR:
Sem nenhuma dúvida, “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger. Esse livro me apresentou a poesia. A poesia de viver. Jogou minha existência para um outro plano, muito mais sonhador, contemplativo e talvez idealista. Muito do que sofro e gozo, muito do que sou, é culpa de meu pai (também um grande sonhador) e de J.D. Salinger.
Pedro Rosas é Graduado em jornalismo pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado, estudou música no Conservatório Dramático-Musical de Tatuí, e foi nessa área que iniciou sua carreira profissional como músico, produtor musical e professor. Como jornalista, estagiou em redação publicitária, produziu textos para imprensa independente e oficial, roteiro para televisão, vídeos institucionais, assessoria de imprensa, pesquisas ad-hoc, reportagens para revistas, jornais e web-sites. Em sua carreira musical, gravou inúmeros discos e teve trabalho lançado na Europa pela gravadora holandesa Roadrunner, ao lado da banda Killing Chainsaw, eleita revelação do rock nacional em 1991 (revista Bizz). Atuou com nomes importantes do underground brasileiro, como Pin-Ups, Mercenárias, Hateen, Wander Wildner, Júpiter Maçã, Paulo Barnabé, Mário Manga e Luis Thunderbird – além de dividir o palco com bandas mundialmente consagradas como Fugazi, Mud Honey e MC5. Em 2005, lançou o método-revista “Aprenda e Toque Bateria” (editora On Line) – com 25.000 exemplares. No exterior, lecionou português para estrangeiros, participou de oficinas musicais em Londres e excursionou pela Itália levando o samba e a bossa-nova para o público europeu. Para saber mais, acesse:

O que: Lançamento do livro "A Vida Começa no Verão"
Quem: Pedro Rosas
Quando: 03 de julho de 2008 - a partir das 19h.
Onde: Casa das Rosas, Av. Paulista, 37
Tels: (11) 3285-6986 / 3288-9447



A Vida Começa no Verão tem prefácio de Ana Cândida Costa e apresentação de Luis Thunderbird, narra a história da solidão de um jovem provinciano recém-chegado a uma efervescente metrópole industrial. Um indivíduo sem nome, sem berço, sem crença, errando em busca dos sonhos perdidos, ilusões deixadas de lado, um destino para nortear sua vida, um amor verdadeiro que construa nele uma existência admissível. Um ser cambaleante entre a loucura e a serenidade, a paixão e a desilusão, a beleza e o abominável. Contada em primeira pessoa, a história é conduzida por uma narrativa veloz e fragmentada, pulando freneticamente de um sentimento a outro, enchendo o texto de divagações, impressões estilhaçadas

2 comentários:

lilian disse...

Adorei esta entrevista com o Pedro.
Realmente o menino é impressionante!

Rogério Garcia disse...

E pra quem quer saber mais sobre a banda que ele participava: http://webhermetica.blogspot.com

Valeu!

Imagem: Rogério Pinto