Imagem: Rogério Pinto

31.7.08

Conversas no Sótão com Maria José Silveira

A entrevistada da vez é a escritora Maria José Silveira. Nossa conversa no sótão se deu assim:
1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R.
Depende do livro que eu estiver escrevendo no momento. Pois o “lugar” específico onde acontece a história que estou em processo de criar toma conta de meu imaginário, com sua paisagem e seus personagens, e é para lá que vou a cada momento possível.

2. Se você entrasse num labirinto e se deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R.
Medrosa como sou, daria um grito e sairia correndo.

3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R.
Emília, Macunaíma ou Riobaldo. Os três, cada um a sua maneira, são apaixonantes.

4. Qual é a importância da imaginação no seu processo criativo?
R. Decisiva. A imaginação é a ferramenta indispensável do escritor. A seu lado, o trabalho da linguagem. Imaginação e linguagem: sem elas nenhum livro de ficção é bom. E para lhes dar suporte: observação (porque a imaginação vem de algum lugar), disciplina (o livro é sempre o resultado de um trabalho intenso e diário), e conhecimento sobre o tema do qual você está tratando (o que, na maioria das vezes, significa pesquisa).

5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R. Na infância, a resposta é clara: “Alice no País das Maravilhas” e todo o Monteiro Lobato. Já na adolescência, a resposta fica complicada porque o nosso universo de leituras vai se ampliando. Mas posso citar os que me vêm mais facilmente à lembrança: Jorge Amado, Lima Barreto, Dostoievski, “Terra dos Homens”, de Saint-Exupéry, e uma autora talvez injustamente esquecida (digo talvez, porque nunca mais a reli e francamente não sei como a leria hoje), Pearl Buck. E também os poetas: Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa.

6. Se você tivesse uma máquina do tempo, que escritor(a) do passado você desejaria encontrar?
R.
Sou do tipo que separa muito bem a pessoa de sua obra. Vou na contramão da tendência contemporânea de tornar os escritores “garotos propaganda” de seus livros, e pensar que a pessoa que escreve um livro maravilhoso deve ser maravilhosa também. Como não é, fico pensando: e se Dostoiévski fosse um rabugento irascível? E se Shakespeare, um dos meus heróis, fosse daquele tipo que só fala de si mesmo e de sua própria importância? E Virginia Woolf, muito ensimesmada em si mesma, obsessiva e chata?
Não, é muito arriscado misturar essas coisas. Melhor deixar como está.

Maria José Silveira nasceu em Jaraguá, pequena cidade histórica de Goiás. Bebê ainda, sua família se mudou para Goiânia e ela tomou gosto por mudanças: já morou em Brasília, Nova York, Paris, São Paulo, Lima (Peru), Rio de Janeiro e atualmente mora em São Paulo. Começou a escrever para crianças na “Revista do Sítio do Picapau Amarelo”, inventando histórias com os personagens da Emília, Narizinho e Pedrinho. Foi editora de livros durante vários anos e, a partir de 2002, passou a se dedicar a escrever. Desde então, publicou quatro romances para adultos, seis livros infantis, oito juvenis e tem dois que serão publicados neste segundo semestre. O mais recente, publicado pela Editora Girafinha no começo deste ano, foi “Uma Aventura Misteriosa Contada A Dois Ouvintes Atentos”, uma “jornada do herói” à brasileira.


3 comentários:

Lígia Pin disse...

Que coincidência! Estou com esse livrinho aqui, esperando para ser lido.
;o)

Laura in Wonderland disse...

Aaaai, que orgulho da minha avó.
Teamo*
Laura ;]

Alexandre disse...

Realmente uma pessoa muito bacana de se conher, mesmo que apenas por uma entrevista. Me fez perceber coisas que jamais imaginaria.
Parabéns
Sou aluno do Tiago no curso de criação literária.