Imagem: Rogério Pinto

28.7.08

Conversas no Sótão com Luiz Roberto Guedes



A conversa desta vez foi com o poeta, escritor e tradutor Luiz Roberto Guedes. Nosso papo se deu assim:



1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
R –
Vários. O palácio do sultão, onde Sherazade conta as histórias de As Mil e Uma Noites. O navio onde Sindbad, o marujo, viajou. A ilha onde Robinson Crusoé naufragou e teve que se virar para sobreviver. A Grécia antiga, mitológica, onde Hércules realizou suas proezas. A selva do “Livro da Jângal”, de Rudyard Kipling, onde Mowgli, o Menino Lobo, cresceu e aprendeu a falar com os animais. Aliás, o Menino Lobo serviu de inspiração para Edgar Rice Burroughs criar Tarzan, o Homem Macaco.


2. Se você entrasse no labirinto de Creta e deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
R –
Eu diria assim: “Ô, rapaz, eu tava mesmo te procurando... Olha só, tem uma vaquinha linda, lá fora, perguntando por você... Vai lá, meu! Deixa de ser bobo!”.



3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
R –
Vamos escolher logo um grandão, não é? O navegante Ulisses, que lutou grandes batalhas, passou por grandes perigos, se divertiu muito na Ilha dos Amores... Ou o herói sumério Gilgamesh, o homem que invadiu a morada dos deuses para exigir deles a imortalidade.



4. Qual é a importância da imaginação no seu processo criativo?
R -
Há duas maneiras de escrever – com a memória e a imaginação. Acho que todo escritor usa ambas. Você começa usando a memória, juntando coisas que leu, viveu, aprendeu e, no meio do processo, a imaginação interfere, dando origem a algo que não existia previamente.



5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância ou adolescência, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
R –
Comecei ali pelos 10 nos, com “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato. Minha primeira “visita” ao Sítio do Pica-pau Amarelo. Em seguida, meu pai me comprou uma coleção de livros de Júlio Verne, com uns sete livros, lindamente ilustrados. “A maior viagem”.



6. Se você tivesse uma máquina do tempo, que escritor(a) do passado você desejaria encontrar?
R –
Tanta gente... Machado de Assis. Júlio Verne. Balzac. Camões. Gregório de Mattos. Mas eu gostaria muito de visitar Robert Louis Stevenson, o autor de “A Ilha do Tesouro”, e levar junto comigo um médico amigo meu, o Dr. Ricardo Terres, para tratar e curar a tuberculose que matou Stevenson aos 44 anos, em 1894. Jovem demais. Ainda tinha muito que escrever.





Luiz Roberto Guedes é poeta, escritor e tradutor. Escreve para grandes e pequenos. Para crianças, publicou, entre outros, os poemas de Bicharada de Tinta e Bicharada de Letras (FTD), além de O Livro das Mákinas Malukas (Edições Dubolsinho). Para jovens, escreveu Lobo, lobão, lobisomem (Saraiva), Anjos do Mar (Saraiva) Armadilha para Lobisomem (Cortez), Treze Noites de Terror (Editora do Brasil), O caçador do arco-íris (Escala Educacional). Lança em breve, pela Nankin, Meu Mestre de História Sobrenatural.

2 comentários:

Beta disse...

Gostei pacas desta entrevista. E breve, mas da uma ideia sobre muito do que o autor guarda na memoria e na imaginacao. E um baita incentivo a leitura para iniciantes e intermediarios. Os avancados ja entenderam que precisam investigar de perto. E eu tambem sou fa de Robert Louis Stevenson, claro.

Anônimo disse...

O Luiz Roberto Guedes é um malabarista das palavras ...Um surfista de estilos vários ...
Um exemplo de persistência e de fé em si mesmo .


As suas respostas refletem o seu jeitão de atirador que já é íntimo do alvo.

Um amigo...acima de tudo isso..

Shellah Avellar