8.7.08

Conversas no Sótão com Andréa del Fuego


O Labirintos no Sótão tem a honra de receber uma das grandes representantes da literatura contemporânea brasileira: Andréa del Fuego, que acaba de lançar o seu primeiro livro dedicado aos jovens leitores: Sociedade da Caveira de Cristal (Scipione). A nossa conversa no sótão se deu assim:

1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
Andréa Del Fuego:
O tempo. Aquele autor que consegue me colocar feito espiã do porvir do personagem. Aquele pedaço de vida que não é escrito, que só me permite imaginar. Pode ser futuro, passado ou presente, o tempo é o lugar imaginário que tento ocupar.


2. Se você entrasse num labirinto e se deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
ADF:
Não é o que você está pensando.

3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
ADF:
Julian Sorel de 'O Vermelho e o Negro' de Stendhal. Através de uma desenvoltura adquirida, da adaptação, ele consegue alçar vôo, o que ele faz desse vôo é desastroso. Mas o impulso, essa vida, a vontade insana de sair do lugar, mesmo que não seja possível, me seduz.


4. Qual é a importância da imaginação no seu processo criativo?
ADF:
Total importância, mas o alicerce da imaginação é a disciplina. Sem ela, minha imaginação se perde, a constância amadurece a imaginação.


5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
ADF:
Não tive livros na infância, comecei na escola, na pré-adolescência. O primeiro portal que atravassei foi com Machado de Assis. Ainda que não tivesse densidade emocional para compreender o cinismo do autor, Machado me cativou. Foi em sua obra onde eu soube que em literatura é tudo invenção, e que isso era permitido, se podia escrever mentindo, inventando, criando.



Andréa del Fuego nasceu em São Paulo, em 1975. É autora da trilogia de contos Minto enquanto posso (O Nome da Rosa, 2004), Nego tudo (Fina Flor, 2005) e Engano seu (O Nome da Rosa, 2007, projeto contemplado com a bolsa de incentivo à criação literária da Secretaria do Estado de São Paulo) e do romance juvenil Sociedade da Caveira de Cristal (Scipione, 2008); integra as antologias: Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século (Ateliê Editorial, 2004), Fábulas da Mercearia (Ciência do Acidente, 2004), 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira (Editora Record, 2005), 35 Segredos Para Chegar a Lugar Nenhum (Bertrand, 2007), Capitu mandou flores (Geração Editorial, 2008), entre outras. Mantém o blog:
http://www.delfuego.zip.net

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Imagem: Rogério Pinto