
Tive a honra de ter sido colega de oficina (oficina do Marcelino Freire) do escritor Rodrigo Ciríaco, que nos próximos dias 11, 12 e 15/06 estará lançando o seu primeiro livro de contos "TE PEGO LÁ FORA", pela Edições Toró (ver divulgação abaixo).
Outra presença ilustre em meu Labirinto. E assim se deu a nossa conversa:
1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
Rodrigo Ciríaco: O sertão de Guimarães Rosa. Acho que não tem lugar mais bonito no mundo. Li "Grande Sertão: Veredas" apenas no ano passado. Acho que não estava preparado para ler antes. E me transformou profundamente. Além do fato de ser neto de nordestinos, ter um amor profundo pelo povo e a terra do Nordeste. Acho que rola uma certa nostalgia do que não vivi.
2. Se você entrasse num labirinto e se deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
RC: "Putz, realmente somos parecidos." Porque eu sou meio-homem, meio-touro (nasci no dia 06 de maio). Me acho super estranho e não sei como sair do labirinto em que estou.
3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
RC: Eu gostaria de ser o Riobaldo. Viver todas aquelas histórias - e estórias - e ter um amor sem fim. Mas, eu acho que estou mais para o "Alienista" do Machado de Assis. Vejo problema em tudo, em todos, inclusive em mim. Como não posso resolver o dos outros, qualquer hora eu me interno.
4. Qual é a importância da imaginação no seu processo criativo?
RC: É muito grande. Mas para o meu processo criativo, antes da imaginação vem o sensitivo. Preciso ter um "motor disparador", algo que provoque a minha sensibilidade, os meus sentimentos, que sirva de ponto de partida para a imaginação dar saltos, sair. Comecei escrevendo muito sobre as minhas dores, os meus traumas. Agora começo a escrever sobre outras coisas que observo na vida, e que me tocam - não apenas negativamente. Mas é assim: eu preciso ser "tocado". É muito difícil para mim "escrever por escrever", ou criar uma (his)estória, sem nada que me instigue a escrevê-la.
Tive esta dificuldade inclusive em oficinas, como as do Marcelino que participamos juntos. As vezes eram propostos temas que eu ficava pensando: "Jesus, e agora? O que eu vou escrever?" E travava, não saía.
5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
RC: Nenhum marcante. Na verdade, na minha infância eu gostava muito de ler. Muito mesmo. Mas, eu não ia para o banheiro sem um gibi. Era - e sou - apaixonado por quadrinhos. A primeira fase, dos 08 aos 12 anos foram os da turma da Mônica. Depois, comecei a gostar dos gibis da Marvel: Homem-Aranha, Wolverine e X-Men. Tenho a coleção de gibis até hoje. Foram eles que me deram o prazer da leitura.
Leitura de livro eu tinha na escola. Mas era sempre algo "obrigatório". Difícil sentir prazer quando você é obrigado a fazer algo. Pior, quando não há uma boa introdução ao universo literário, é apenas ler porque tem que ler e pronto. Acho que isso mata muitos leitores.
Rodrigo Ciríaco é professor de história na rede pública de ensino e integrante da Cooperifa - Cooperativa Cultural da Periferia. Participou das antologias SARAU (de poemas) e MOSCAS (de mini-contos), ambos títulos publicados pela Dulcinéia Catadora, além da revista GRAP - Grafismo e Poesia. Está lançando o seu primeiro livro de contos, sobre a escola, chamado TE PEGO LÁ FORA, pelas Edições Toró.
Rodrigo Ciríaco: O sertão de Guimarães Rosa. Acho que não tem lugar mais bonito no mundo. Li "Grande Sertão: Veredas" apenas no ano passado. Acho que não estava preparado para ler antes. E me transformou profundamente. Além do fato de ser neto de nordestinos, ter um amor profundo pelo povo e a terra do Nordeste. Acho que rola uma certa nostalgia do que não vivi.
2. Se você entrasse num labirinto e se deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
RC: "Putz, realmente somos parecidos." Porque eu sou meio-homem, meio-touro (nasci no dia 06 de maio). Me acho super estranho e não sei como sair do labirinto em que estou.
3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
RC: Eu gostaria de ser o Riobaldo. Viver todas aquelas histórias - e estórias - e ter um amor sem fim. Mas, eu acho que estou mais para o "Alienista" do Machado de Assis. Vejo problema em tudo, em todos, inclusive em mim. Como não posso resolver o dos outros, qualquer hora eu me interno.
4. Qual é a importância da imaginação no seu processo criativo?
RC: É muito grande. Mas para o meu processo criativo, antes da imaginação vem o sensitivo. Preciso ter um "motor disparador", algo que provoque a minha sensibilidade, os meus sentimentos, que sirva de ponto de partida para a imaginação dar saltos, sair. Comecei escrevendo muito sobre as minhas dores, os meus traumas. Agora começo a escrever sobre outras coisas que observo na vida, e que me tocam - não apenas negativamente. Mas é assim: eu preciso ser "tocado". É muito difícil para mim "escrever por escrever", ou criar uma (his)estória, sem nada que me instigue a escrevê-la.
Tive esta dificuldade inclusive em oficinas, como as do Marcelino que participamos juntos. As vezes eram propostos temas que eu ficava pensando: "Jesus, e agora? O que eu vou escrever?" E travava, não saía.
5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
RC: Nenhum marcante. Na verdade, na minha infância eu gostava muito de ler. Muito mesmo. Mas, eu não ia para o banheiro sem um gibi. Era - e sou - apaixonado por quadrinhos. A primeira fase, dos 08 aos 12 anos foram os da turma da Mônica. Depois, comecei a gostar dos gibis da Marvel: Homem-Aranha, Wolverine e X-Men. Tenho a coleção de gibis até hoje. Foram eles que me deram o prazer da leitura.
Leitura de livro eu tinha na escola. Mas era sempre algo "obrigatório". Difícil sentir prazer quando você é obrigado a fazer algo. Pior, quando não há uma boa introdução ao universo literário, é apenas ler porque tem que ler e pronto. Acho que isso mata muitos leitores.
Rodrigo Ciríaco é professor de história na rede pública de ensino e integrante da Cooperifa - Cooperativa Cultural da Periferia. Participou das antologias SARAU (de poemas) e MOSCAS (de mini-contos), ambos títulos publicados pela Dulcinéia Catadora, além da revista GRAP - Grafismo e Poesia. Está lançando o seu primeiro livro de contos, sobre a escola, chamado TE PEGO LÁ FORA, pelas Edições Toró.
TE PEGO LÁ FORA é treze. O 13º título publicado pelas Edições Toró, o primeiro só de contos e o primeiro livro de autoria de Rodrigo Ciríaco, professor de História da rede pública estadual de ensino na Zona Leste, em São Paulo.
O livro conta com 25 contos divididos em quatro estações, que transpassam histórias – e estórias – de uma gente vivida e sofrida que ainda está nos bancos de classe da primeira série.
Escritos de vingança, dor e justiça de um professor que não aceita perder alunos para o tráfico e para a miséria, ver o preconceito camuflado para baixo de carteiras e nem abaixa a cabeça para diretores incompetentes e sistemas educacionais falidos. Contra tudo isto, usa a sua principal arma: a caneta.
Textos ficcionais baseados em fatos reais. Um recorte da nossa deseducação, ilustrado com o trampo de Yili Rojas, confeccionado nas mãos de Silvio Diogo, Mateus Subverso e Allan da Rosa, acompanhado de um pequeno caderno de fotos das entranhas do ensino e outras surpresas. Diário de Escola com leituras proibidas para educastradores, burocratas de plantão e alunos matriculados na rede particular.
(sinopse do livro cedida pelo autor)
O livro conta com 25 contos divididos em quatro estações, que transpassam histórias – e estórias – de uma gente vivida e sofrida que ainda está nos bancos de classe da primeira série.
Escritos de vingança, dor e justiça de um professor que não aceita perder alunos para o tráfico e para a miséria, ver o preconceito camuflado para baixo de carteiras e nem abaixa a cabeça para diretores incompetentes e sistemas educacionais falidos. Contra tudo isto, usa a sua principal arma: a caneta.
Textos ficcionais baseados em fatos reais. Um recorte da nossa deseducação, ilustrado com o trampo de Yili Rojas, confeccionado nas mãos de Silvio Diogo, Mateus Subverso e Allan da Rosa, acompanhado de um pequeno caderno de fotos das entranhas do ensino e outras surpresas. Diário de Escola com leituras proibidas para educastradores, burocratas de plantão e alunos matriculados na rede particular.
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