Tive o prazer de conhecer Lúcia na oficina do Marcelino Freire. Grande escritora e ilustradora. Outra dama fundamental da nossa literatura para crianças. Nossa conversa no sótão se deu assim:1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
Lúcia Hiratsuka: Se vale também o conto popular, vou citar o Castelo do Rei Dragão, que fica no fundo do mar, onde o tempo passa diferente. Isso aparece na mitologia japonesa, em lendas e em alguns contos que eu ouvi e li quando criança.
2. Se você entrasse num labirinto e se deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
LH: Acho que só observaria, com medo, por simbolizar algo de mim mesma presa num labirinto, e com fascínio pela força da imagem.
3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
LH: Se for literatura adulta, poderia ser a Rosalina do conto “A estória de Lélio e Lina” do Guimarães Rosa. Gosto de personagens velhos e crianças. Se for da literatura Infanto-juvenil poderia ser o Peter Rabitt do livro de Beatrix Potter.
4. Qual é a importância da imaginação no seu processo criativo?
LH: Eu crio muito a partir da imagem. Primeiro visualizo, como num filme, depois escrevo a partir disso. Outras vezes fico rabiscando, e isso puxa uma outra imagem. Imagem em ação. Quando estou sem imaginação, começo a olhar gravuras, pinturas, desenhos, alguma imagem.
5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
LH: Como eu cresci num sítio, bem longe da cidade, uma das formas de conhecer mais sobre o mundo era ouvindo histórias e lendo os livros da minha mãe e do meu avô, todos em japonês. Meu pai assinava uma revista para crianças, tinha uma lombada grossa, muitas páginas, parecia um livro mesmo. E trazia contos, biografias de personalidades históricas, adaptações de alguns clássicos, mangás em capítulos... Eu ficava esperando pelo próximo número.
Também lembro de um livro da minha mãe, trazia um romance, um drama familiar. Apesar de eu ter uns 8, 9 anos, li várias vezes. Até hoje lembro do enredo, das personagens, de muitos detalhes e alguns diálogos.
Em português, além da cartilha escolar, só por volta dos 10 anos é que conheci a biblioteca, quando me mudei para a cidade. E o meu pai comprou uma enciclopédia chamada “Ler e Saber”, que eu ficava procurando as histórias. Os primeiros livros que eu comprei foi o da série Vaga-lume. Acho que eu tinha uns 12 anos ou mais.
O fato de eu ter sido alfabetizada primeiro em japonês, e a minha vivência rural, deve ter influenciado a minha escrita de hoje. É uma impressão que tenho.
Lúcia Hiratsuka é autora de livros para crianças. Entre os livros que escreveu e ilustrou estão: Um Rio de Muitas Cores (Studio Nobel, 1999), Urashima Taro (Global,2000), Lin e o outro lado do bambuzal (SM, 2004), Contos da montanha(SM,2005), “Histórias de Mukashi” (Elementar, 2007), “Festa no Céu/Festa no Mar”( DCL,2008) e “Os Livros de Sayuri” (SM,2008). Recebeu os prêmios APCA 95, vários selos Altamente Recomendável FNLIJ, foi finalista do Jabuti 2006 na categoria ilustrações e recebeu o prêmio FNLIJ 2008, de melhor reconto por Histórias Tecidas em Seda (Cortez, 2007).
http://www.luciahiratsuka.com.br/
Lúcia Hiratsuka: Se vale também o conto popular, vou citar o Castelo do Rei Dragão, que fica no fundo do mar, onde o tempo passa diferente. Isso aparece na mitologia japonesa, em lendas e em alguns contos que eu ouvi e li quando criança.
2. Se você entrasse num labirinto e se deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
LH: Acho que só observaria, com medo, por simbolizar algo de mim mesma presa num labirinto, e com fascínio pela força da imagem.
3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
LH: Se for literatura adulta, poderia ser a Rosalina do conto “A estória de Lélio e Lina” do Guimarães Rosa. Gosto de personagens velhos e crianças. Se for da literatura Infanto-juvenil poderia ser o Peter Rabitt do livro de Beatrix Potter.
4. Qual é a importância da imaginação no seu processo criativo?
LH: Eu crio muito a partir da imagem. Primeiro visualizo, como num filme, depois escrevo a partir disso. Outras vezes fico rabiscando, e isso puxa uma outra imagem. Imagem em ação. Quando estou sem imaginação, começo a olhar gravuras, pinturas, desenhos, alguma imagem.
5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
LH: Como eu cresci num sítio, bem longe da cidade, uma das formas de conhecer mais sobre o mundo era ouvindo histórias e lendo os livros da minha mãe e do meu avô, todos em japonês. Meu pai assinava uma revista para crianças, tinha uma lombada grossa, muitas páginas, parecia um livro mesmo. E trazia contos, biografias de personalidades históricas, adaptações de alguns clássicos, mangás em capítulos... Eu ficava esperando pelo próximo número.
Também lembro de um livro da minha mãe, trazia um romance, um drama familiar. Apesar de eu ter uns 8, 9 anos, li várias vezes. Até hoje lembro do enredo, das personagens, de muitos detalhes e alguns diálogos.
Em português, além da cartilha escolar, só por volta dos 10 anos é que conheci a biblioteca, quando me mudei para a cidade. E o meu pai comprou uma enciclopédia chamada “Ler e Saber”, que eu ficava procurando as histórias. Os primeiros livros que eu comprei foi o da série Vaga-lume. Acho que eu tinha uns 12 anos ou mais.
O fato de eu ter sido alfabetizada primeiro em japonês, e a minha vivência rural, deve ter influenciado a minha escrita de hoje. É uma impressão que tenho.
Lúcia Hiratsuka é autora de livros para crianças. Entre os livros que escreveu e ilustrou estão: Um Rio de Muitas Cores (Studio Nobel, 1999), Urashima Taro (Global,2000), Lin e o outro lado do bambuzal (SM, 2004), Contos da montanha(SM,2005), “Histórias de Mukashi” (Elementar, 2007), “Festa no Céu/Festa no Mar”( DCL,2008) e “Os Livros de Sayuri” (SM,2008). Recebeu os prêmios APCA 95, vários selos Altamente Recomendável FNLIJ, foi finalista do Jabuti 2006 na categoria ilustrações e recebeu o prêmio FNLIJ 2008, de melhor reconto por Histórias Tecidas em Seda (Cortez, 2007).
http://www.luciahiratsuka.com.br/
1 comentários:
Nunca lí nada da escritora, mas fiquei com vontade...
parabéns pelo projeto
beijo
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