20.3.08

Conversas no Sótão com Cláudio Fragata

Dando continuidade a série de Conversas no Sótão: entrevistei o escritor Claúdio Fragata; um dos grandes nomes da nossa Literatura infanto-juvenil. Verdadeira honra para este Labirinto. E assim se deu a nossa conversa:


1. Qual é o seu "lugar imaginário" favorito dentro da literatura?
Cláudio Fragata
: Meu lugar inaugural dentro da literatura foi O Sítio do Pica-pau Amarelo, que explorei cada palmo sempre com grande encantamento. Depois descobri Tatipirun, a terra dos meninos pelados de Graciliano Ramos. E o País das Maravilhas, de Alice. Mais tarde foi a vez de Macondo. Hoje gosto muito da rua Brocá, do Pierre Gripari, para onde me mudaria agora mesmo com meus livros e meus gatos.
2. Se você entrasse num labirinto e se deparasse com o Minotauro, o que você faria ou diria para ele?
CF:Nunca entendi como alguém que tem olhos de boi pode ser um monstro. Você já olhou dentro dos olhos de um boi? Eu já. Fui criado numa fazenda e convivi com eles. Por isso, acho o Minotauro de Borges mais verdadeiro. Ele o descreve como um ser solitário, que caminha exausto por corredores desertos e sem fim, ouvindo o eco de seus passos, chegando a inventar um duplo para ter com quem conversar. Acho que se me deparasse com o Minotauro, olharia dentro de seus olhos de boi, estenderia a mão e diria olá, amigo.
3. Se você pudesse escolher ser um personagem da história da literatura, qual seria?
CF
: O Gato-de-Botas. Hummm... Pensando melhor, acho que também me daria muito bem como Peter Pan.
4. Qual é a importância da imaginação no seu processo criativo?
CF: A imaginação é a fonte de tudo o que escrevo, é a grande matriz dos sonhos. Sem ela, eu não seria escritor. E já estaria há tempos usando uma camisa-de-força.
5. Qual foi o autor ou livro que, na sua infância, te fez gostar de ler, ter o prazer da leitura?
CF:
Desde que me entendo por gente sempre vivi cercado de livros, ouvia histórias de meus pais e meu irmão mais velho, adorava discos de histórias também. Penso que tudo isso junto despertou meu interesse pela leitura. Mas, sem dúvida, Monteiro Lobato e Lewis Carroll foram decisivos para me tornar um feliz dependente das palavras.

Cláudio Fragata é editor da revista Recreio, e autor dos livros As Filhas da Gata de Alice Moram Aqui, Seis Tombos e Um Pulinho e O Vôo Supersônico da Galinha Galatéia, publicados pela editora Record; A Princesinha Boca-suja, pela editora Scipione, e Balaio de Bichos, pela Difusão Cultural do Livro. Para saber mais acesse: www.quintaldoclaudio.com.br

4 comentários:

Mauricio Eloy disse...

Olá Marcelo.
Muito bacana essas conversas, a gente conhece um pouco mais de criação, de livros e de pessoas.
Parabéns.
Estou acompanhando.

Luisa disse...

Gostei do seu blog! Adorei essa última entrevista, principalmente quando ele falou que queria ser o peter pan.!

=)

vilma b. de oliveira disse...

Adorei o comentário sobre o Minotauro. O conto do Borges é fantástico. E gostei muito dessa amplitude do Cláudio,indo da literatura infantil ao Borges. Parabéns!

Cléu disse...

Olá
Gosto muito do seu blog, mas nunca deixei um recado. Desta vez resolvi escrever porque encontrei as palavras do Claudio Fragata, um dos meus escritores favoritos. Percebeu que deixei de lado o adjetivo "infantil"?
É porque para mim, escritor é escritor e ponto. Livro é livro e ponto. Ou é bom ou é ruim e os dele são ótimos: para mim, minha filha, meu sobrinho-neto, meus alunos, meus colegas e etc.
Continue com as entrevistas, que são uma delícia.
Cléu Rocha

Imagem: Rogério Pinto